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Repensar a educação na moda

Um novo estudo apela ao repensar da educação na moda para garantir que os alunos adquirem as competências de ciências de dados e análises de dados necessárias para prosperar numa indústria em constante mudança.

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O relatório “Are fashion majors ready for the era of data science? A study on the fashion undergraduate curriculums in US institutions”, elaborado por Lora Merryman e Sheng Lu da Universidade de Delaware, surge na medida em que cada vez mais empresas de moda recorrem a ferramentas de análises de dados para potenciar e apoiar as operações comerciais diárias, revela o just-style.com.

Desde a gestão da cadeia de aprovisionamento ao controlo de stock, previsão de vendas e análises do comportamento de compra dos consumidores, as empresas estão a aplicar cada vez mais a ciência de dados para melhorar ou mudar a forma como projetam novos produtos.

Algumas empresas de moda começaram a integrar a análise de dados e a aprendizagem de máquinas no processo de design de vestuário como é exemplo a Gap Inc, que tentou remover o cargo de diretor criativo ao utilizar cientistas de dados para conceber novos produtos.

A combinação da ciência de dados e da moda atraiu novos players do sector, especialmente empresas tecnológicas. Estas empresas, como a Edited, Trendalytics e a Style Sage, fornecem ferramentas de análises baseadas em big data que ajudam as marcas e as retalhistas de moda tradicionais a analisar de forma mais eficaz as vendas e identificar estilos.

Evolução do mundo laboral

O uso crescente da ciência de dados está não só a mudar a forma como as marcas de moda e as retalhistas de vestuário projetam, comercializam e entregam os respetivos produtos como também a impactar as competências que as empresas procuram.

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Além de permitir que as empresas tenham acesso a análises mais profundas dos consumidores e do mercado em que atuam, a ciência de dados está a criar postos de trabalho que não existiam no passado. Cargos como editor de dados, cientistas de dados e gerente de inventário inteligente constaram nos profissionais mais procurados de janeiro de 2019 a julho de 2020, segundo a Business of Fashion.

Se as exigências das empresas evoluíram, abrindo espaço para novos cargos e funções, é fundamental que a formação necessária seja atribuída aos alunos de moda, para que tenham as competências essenciais para prosperar no mundo do trabalho. Deste modo, são várias as instituições de ensino superior nos EUA que possuem mais de 50 programas de formação em moda, um dos cursos universitários mais populares para a geração Z. Por norma, as formações oferecidas pelos institutos centram-se no design, produção ou comercialização de produtos de moda, vestuário e têxteis. Os alunos matriculados nestes cursos têm como principal motivação seguir uma carreira na indústria de moda.

Reformular ofertas

Apesar das ofertas para os cargos que começam a surgir, a ciência de dados é mais complexa, pelo que os estudantes de moda das universidades dos EUA optam por fazer cursos de matemática, estatística e merchansiding para estar confortáveis com componentes de análise de dados quantitativos.

Nesta ótica e de acordo com as conclusões do estudo, «quase não há cursos de moda que abordem diretamente a ciência de dados ou a análise de dados». O relatório também descobriu que os programas de moda orientados para o design, em específico, precisam de parar de evitar «os números e a matemática» e criar mais oportunidades para os alunos melhorarem as competências de raciocínio quantitativo.

Os autores do estudo acreditam que a reformulação da oferta educativa pode até mesmo tornar-se recetiva para alunos interessados em disciplinas ligadas às ciências e tecnologias, expandindo, desta forma, o corpo docente e diversificação dos formandos em moda.