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Reposicionamento estratégico na IMB – Parte 2

Na última edição da IMB – World of Textile Processing, ficou claro que todos estão atentos e focalizados no enquadramento estratégico dos investimentos e no retorno a curto prazo (ver Reposicionamento estratégico na IMB – Parte 1), os clientes com o objectivo de se reposicionarem e os fornecedores de apoiarem esse reposicionamento. Segundo Daniel Harari, director-executivo da Lectra, para as empresas que estão focalizadas em permanecer no negócio, as preocupações com o dinheiro e em melhorar o resultado líquido, surgem à frente do investimento em novas tecnologias. A Lectra pretende investir este ano 17 milhões de euros em I&D, mas vai centrar os seus novos desenvolvimentos no apoio aos produtores para se tornarem mais eficientes e melhorarem a produtividade. Está tudo nos detalhes», explicou Harari. Não se trata de corte, mas de poupar tecido. Estamos a ajudar as pessoas a poupar dinheiro» Harari destaca, em especial, o mais recente lançamento do software Modaris para o desenvolvimento de padrões, que pode ajudar a reduzir o ciclo de desenvolvimento da peça de vestuário por um factor de dois. Deste modo, em vez de seis, passa a demorar apenas três semanas. A Lectra está também a focalizar a redução do tempo que demora a chegar ao mercado, com a ferramenta de concepção Kaledo, um novo software para as máquinas de corte Vector e sistemas de reconhecimento de padrões Mosaic. As empresas de software também acreditam que produtores, retalhistas e marcas de vestuário vão olhar para outras áreas de investimento tecnológico, à medida que saem da recessão. Estes investimentos incluem o comércio electrónico, bem como a necessidade de incorporar questões de conformidade ao longo da cadeia de fornecimento, para que tenham a visibilidade de tudo o que acontece, desde o Reach, a legislação europeia sobre produtos químicos, até ao Consumer Product Safety Improvement Act (CPSIA) nos EUA. O PLM abrange a coluna vertical de uma empresa e acreditamos que irá começar a desempenhar um novo papel na sustentabilidade, de modo que, ao longo da cadeia de fornecimento, tudo será monitorizado de acordo com os objectivos estabelecidos pela empresa», revelou Jérôme Bergeret, director de bens de consumo para a indústria na Dassault Systèmes. Olhando para o futuro, Harari afirmou que as empresas vão sair da actual crise económica de maneiras muito diferentes. Alguns vão investir em design para vender mais, enquanto outros vão incidir sobre o desenvolvimento das suas próprias marcas», confiou o director-executivo da Lectra. Acredito que isso irá moldar o mercado de moda, mais do que o fim das quotas. As empresas terão de rever tudo o que fazem. Quando há um abalo, existem vencedores e perdedores ". Ed Gribbin, presidente da AlvaInsight, uma divisão da Alvanon, empresa especialista em tamanho e ajuste, concorda. As empresas precisam de posicionar-se para ultrapassar o abrandamento económico», afirmou o responsável, acrescentando que é fundamental conhecer melhor os seus clientes». Gribbin sublinhou o exemplo de três retalhistas norte-americanos especializados, que estão a desenvolver novas marcas para o mercado “boomer” (40 aos 60 anos) – não para substituir marcas actuais, mas para completar as suas marcas no futuro. Outras marcas estão a apostar na expansão regional e global, estando a trabalhar com a Alvanon – que, no ano passado, realizou o maior estudo de medição corporal na China – porque não conhecem os seus clientes nesses novos mercados. Houve um abate natural do excesso no mercado, uma selecção natural dos mais fortes. Os fortes vão ficar mais fortes e a consolidação já está a acontecer. A indústria de vestuário vai sair em melhor forma da presente recessão», concluiu Gribbin.