Início Notícias Têxtil

Resíduos dão forma a “couro” vegetal

Ecológico, versátil, respirável e esteticamente apelativo são algumas das características do material desenvolvido pela Tintex, Têxteis Penedo, Sedacor, CITEVE, CeNTI e CTIC, que aguarda patente e está pronto para chegar ao mercado sob variadas formas.

Numa altura em que a sustentabilidade e a consciência ética dos consumidores estão em alta, o consórcio, no âmbito do projeto Texboost, avançou para a criação «de uma alternativa ao couro natural, avançada e sustentável, baseada em resíduos e subprodutos com base vegetal com desempenho similar», esclareceu Augusta Silva, project manager deste projeto no CITEVE.

Para isso, o primeiro passo foi fazer o levantamento dos resíduos vegetais e agroflorestais em Portugal, «porque a proximidade geográfica é extremamente importante, devido à pegada ecológica», realçou. Serrim, casca de amêndoa, casca de azeitona, casca de arroz, casca de pinheiro e resíduos de café foram alguns dos subprodutos selecionados e que demonstraram bons resultados. Antes, contudo, «houve uma adaptação destes mesmos resíduos às aplicações industriais», reconheceu Augusta Silva, admitindo que foram feitos estudos relativos à formação de revestimento, nomeadamente por pasta, por espuma e por spray.

«Estudamos as tecnologias de revestimento e, como forma de valorização estética destas novas soluções, enveredamos também por uma abordagem de efeitos promovidos pela alta pressão através de relevos promovidos pelo embossing», assegurou.

As ambições do projeto passaram ainda pelas propriedades antibacterianas produzidas pelos próprios resíduos. «Exploramos diferentes aditivos e resíduos de base vegetal ao nível das propriedades antibacterianas e, na verdade, conseguimos identificar um produto, o tomilho bela-luz, que apresentou uma elevada atividade antibacteriana», afiançou a project manager do CITEVE.

Uma outra propriedade funcional é a respirabilidade do material. «Temos, por exemplo, um saco-cama e almofadas que foram revestidos com resíduos de casca de pinheiro, que foi introduzido numa pasta, que confere respirabilidade», referiu.

As áreas de aplicação são variadas, desde os têxteis-lar ao vestuário, calçado, decoração, acessórios e automóvel. Entre os protótipos desenvolvidos, além do saco-cama e almofadas, estão também um sofá, sapatilhas e diversas malhas e tecidos

«Os produtos desenvolvidos foram todos testados e validámos a performance relativamente ao conforto, ao desempenho e também à aplicação final em questão», destacou Augusta Silva. Quanto ao processo, «todos os produtos foram validados relativamente à aplicação final, quer por pasta, quer por espuma, mas temos ainda alguns desafios a ultrapassar, nomeadamente no que concerne à solidez à luz, sendo que temos soluções que estão próximas do mercado e perfeitamente validadas para as aplicações em questão», garantiu.

Com o pedido de patente internacional em curso e as soluções preparadas para a certificação GRS – Global Recycle Standard e RCS – Recycled Claim Standard, o projeto tem suscitado muito interesse no mercado. «Ainda no início, quando começámos com a divulgação, várias grandes marcas na área da moda e também decoração, têxteis-lar, etc. manifestaram um grande interesse nestas soluções», assumiu Augusta Silva.