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Responsáveis espanhóis apelam ao Governo

A indústria têxtil e do vestuário espanhola apelou ao Governo para «prestar mais atenção» ao sector e estabelecer medidas para injectar liquidez, numa altura em que muitas empresas estão à beira da falência. «A falta de acesso ao crédito tornou-se um grande problema que está a afectar a viabilidade de muitas empresas», refere Josep Casas, presidente do Consejo Intertextil Espanol (CIE). «Precisamos de ajuda imediata para apoiar a indústria, que tem enfrentado dificuldades há muito tempo», acrescenta o responsável. Em conjunto com outras associações, Casas apelou ao Governo para fornecer títulos de crédito às pequenas e médias empresas que estão sem liquidez e que constituem a maioria da indústria. Apelou também a um prolongamento do Plan de Apoyo Textil, que expira este ano, um programa lançado em 2005 quando a indústria estava a lutar contra a avalanche de importações chinesas e asiáticas. O plano, e uma grande reconversão para focalizar na inovação e no corte de custos, tem ajudado o sector a sobreviver à concorrência asiática, embora a sua dimensão e as taxas de emprego tenham diminuído. «Estávamos a sobreviver com imensa dificuldade, mas esta crise é demasiado grande para suportar», considera Casas, acrescentando que muitas empresas podem encerrar sem a ajuda do Governo. De Janeiro a Setembro, a indústria perdeu 12.000 empregos, passando para um total de 151.312 efectivos. As exportações caíram 13%, para os 4,54 mil milhões de euros. Outros responsáveis sectoriais juntam-se a Casas no pedido de ajuda. Manuel Diaz, presidente da Asociación Industrial Textil de Proceso Algodonero (AITPA), refere que «uma absoluta falta de liquidez» e reduzida cobertura de seguros estão a impedir as empresas de realizarem as suas actividades no dia-a-dia. Casas afirma que a administração central deve aumentar as linhas de crédito no âmbito do Instituto Oficial de Crédito – algo que já foi feito para os sectores automóvel e financeiro. Solicita igualmente o aumento dos benefícios fiscais e o adiamento dos pagamentos de segurança social até a crise acabar. «As empresas têxteis são tão ou ainda mais afectadas do que outras empresas», disse Diaz, acrescentando que o sector emprega mais pessoas do que o automóvel. O responsável acrescenta: «Nunca fizemos tanto barulho durante uma crise [referindo-se ao sector automóvel] e temos lutado em silêncio. Chegou a altura do Governo dar-nos mais atenção».