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Retalhistas “discount” brilham na recessão – Parte 1

Num ano que vai provavelmente ficar conhecido como um dos piores na história da indústria de vestuário europeia, existe um sector que continua a brilhar: o vestuário de desconto. E um retalhista que realmente se destaca neste caso é a Primark, conforme revela um novo relatório. Se os players no mercado de desconto conseguirem continuar a responder às pressões competitivas e às preocupações éticas, então vão continuar com um desempenho superior. Apesar das tentativas de reagir à recessão com uma oferta de moda discreta, reduções no inventário e uma dependência dos saldos, o sector de vestuário europeu vai provavelmente registar um declínio de 5,2% para os 274 mil milhões de euros em 2009. Mas há uma grande excepção nesta tendência. O segmento de moda de desconto, que alcançou vendas de cerca de 50 mil milhões de euros em 2008, sendo o único segmento que cresce num sector em declínio. Segundo um novo relatório estratégico, apresentado pela empresa de análise do retalho Verdict Research, são esperados grandes momentos para a maioria dos players europeus, incluindo H&M, Primark e Kiabi, ao longo dos próximos cinco anos. E existe actualmente uma grande oportunidade para os retalhistas de gama alta em toda a UE, à medida que as lojas de departamento recuam. O vestuário de desconto é também um sector em que a expansão para o exterior está muito em jogo, conforme refere o relatório “Value Clothing in European Retail 2009”, em contraste com outros sectores, onde o entrincheiramento é actualmente a estratégia seguida. Por um lado, os países da Europa Central e de Leste são uma proposta atraente para este segmento económico, enquanto o poder de compra continua a ser baixo. Por outro lado, em termos do vestuário de desconto, os mercados mais maduros da Europa Ocidental também estão bastante subdesenvolvidos. Assim sendo, para além do Reino Unido (embora tenha atraído mais um player, o retalhista italiano OVS), o resto da Europa ainda está por explorar, apesar das cadeias de desconto já estarem activas neste sector. Primark destaca-se «Na medida em que a aura da Tesco decaiu um pouco durante a recessão, a irlandesa Primark está pronta para levar a chama do retalhista mais inteligente e temido das Ilhas Britânicas», afirma Daniel Lucht, analista sénior na Verdict Research e co-autor do relatório. O seu modelo de negócio, crescimento, indicadores e densidades de vendas ultrapassaram os seus rivais europeus, desde a C&A até à Kiabi e, mais recentemente, a H&M. A aposta na moda e a focalização numa camada demográfica jovem são pontos de venda exclusivos da Primark e algo que muita da concorrência, obviamente, não tem – talvez com a excepção da H&M. Além disso, este foco é exactamente o que os consumidores da UE estão a exigir, conforme se tem revelado pelo crescimento sustentado da Primark e a situação no mercado de vestuário do Reino Unido tem amplamente demonstrado nos últimos anos. A dura lição, que diversos retalhistas de moda do Reino Unido tiveram que aprender nos últimos anos, está a ser repetida por todo o continente europeu. A Espanha já está a adoptar o conceito da Primark, mesmo apesar do país se encontrar numa terrível confusão económica com o mais acentuado declínio do PIB desde há muitos anos. Na segunda parte deste artigo, continua-se a analisar as perspectivas para o mercado de vestuário económico.