Início Arquivo

Retalhistas americanos diversificam como podem

A lista dos casos de sucesso no retalho dos Estados Unidos no ano de 2000 deverá ser substancialmente menor do que a registada em 1999. Segundo os analistas de Wall Street, a desaceleração das despesas dos consumidores levará a que apenas um grupo restrito de empresas, como a Kohl’s, Target, Wal-Mart, Gap e Limited, entre outras, seja capaz de apresentar bons resultados no corrente ano. Dado o reduzido crescimento do mercado, os analistas prevêm que a maioria das empresas tente reviver ou reinventar conceitos já algo gastos, bem como algumas apostas em aquisições de empresas fora do core business, numa tentativa de entrada em mercados em maior crescimento.

Prevê-se igualmente o desenvolvimento de novas estratégias, ligadas sobretudo ao investimento na Internet, expansão para novos mercados internacionais e, no caso das lojas de departamentos, uma estratégia renovada de desenvolvimento de cadeias especializadas.

A Salomon Smith Barney prevê que as vendas do retalho norte-americano, numa base de número de lojas equivalente, cresçam 4,8% durante o presente ano, um valor bastante inferior à taxa de 6,4% registada em 1999. Estes resultados advém da previsível moderação nos gastos dos consumidores, bem como da dificuldade em sustentar as elevadas taxas de crescimento registadas nos últimos anos. Assiste-se igualmente a uma alteração no perfil do consumo, cada vez mais orientado para artigos do lar e produtos electrónicos, levando a que se preveja que a taxa de crescimento do consumo de vestuário seja bastante inferior à taxa de crescimento do consumo de todos os produtos. Os analistas estimam que o consumo de vestuário irá crescer apenas 3% em 2000, face a uma taxa de 3,9%, registada no ano transacto.

Contudo, apesar das sucessivas subidas das taxas de juro, da volatilidade nos mercados accionistas, da subida dos preços dos combustíveis e dos elevados níveis de endividamento das famílias, a verdade é que o consumo por parte das famílias mantém-se a níveis bastante elevados, permitindo que os resultados apresentados pelos retalhistas estejam de acordo com as suas previsões iniciais.

Segundo alguns analistas do retalho norte-americano, os bons resultados apresentados até ao momento pelas principais empresas do mercado devem-se à forte aceitação, por parte dos consumidores, das colecções de Primavera. As novas tendências da moda parecem impulsionar as compras por parte dos consumidores. Como afirma a Salomon Smith Barney, a boa moda estimula a procura e, globalmente, as colecções apresentadas para a Primavera do corrente ano parecem especialmente boas.

Porém, apesar dos factores fundamentais, como a baixa inflação e desemprego, o bom crescimento de rendimentos, elevada confiança dos consumidores, os analistas prevêm que mesmo assim será difícil alguns retalhistas superarem os resultados dos anos anteriores, particularmente no primeiro semestre. Um inquérito realizado a 30 retalhistas mostra que os lucros em 1999 cresceram cerca de 20,3%, enquanto as vendas subiram 12,5%. No quarto trimestre de 1999 os lucros cresceram acima de 14,5 %, enquanto as vendas terão crescido 14,7%.

Nesta perspectiva, a primeira empresa a lançar o mote da desaceleração do crescimento nos resultados foi a Wal-Mart, ao anunciar em Fevereiro que os elevados preços dos combustíveis e das matérias primas, as apreciações das moedas asiáticas e o aumento nos custos laborais poderiam vir a ter algum impacto sobre os seus resultados.

Os principais analistas salientam, contudo, que se poderá contar com algumas excepções à desaceleração no crescimento dos lucros. Entre as empresas preferidas pelos analistas de Wall Street contam-se a Gap e a Limited, a Kohl’s, Old Navy, Target e a cadeia sueca H&M. Assiste-se assim à predominância de dois tipos diferentes de retalhistas.

Por um lado, os retalhistas especializados como a Gap e a Limited, líderes em moda, pelo outro, os discounters, oferecendo as novas tendências a baixos preços, como a Target e a H&M. Neste quadro, segundo os analistas, os perdedores são os grandes armazéns. O seu principal problema é terem perdido a liderança em termos de moda. Enquanto que há poucos anos eram estas as lojas que indicavam as tendências, hoje em dia já não são capazes de atrair os clientes e de se diferenciar.