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Retalhistas aumentam preços

Os norte-americanos estão, há anos, habituados a roupa de algodão barata, especialmente quando a fibra oscilava em torno dos 40 a 60 centavos de dólar por libra. Mas em 2011 tudo vai mudar, após os preços do algodão subirem para um nível visto pela última vez em 1861-1865 durante a Guerra Civil Americana. O algodão na bolsa ICE Futures atingiu o recorde de 1,5912 dólares por libra no dia 21 de Dezembro de 2010 e os analistas esperam que o preço da fibra chegue aos 2 dólares por libra na Primavera deste ano, dada a escassez de oferta. Até agora, as empresas têxteis tiveram pouca dificuldade em passar o custo do algodão para as lojas de retalho ou marcas. A questão é se poderão continuar a fazê-lo. «Não estou confiante de que esta tendência continue ao longo de 2011», afirmou Gary Raines, economista-chefe da empresa de serviços financeiros FCStone, em entrevista à Reuters. «O comprador típico de vestuário dos EUA está habituado a – até mesmo condicionado a – esperar pequenas ou nenhumas mudanças anuais nos preços do vestuário e eu não o vejo a manter o nível actual de compras quando os preços começarem a subir», acrescentou Raines. Os fornecedores de nicho já estão a ser atingidos, excluindo o algodão em alguns casos, porque o preço da fibra é simplesmente demasiado elevado. Segundo T. Jordan Lea, presidente da empresa Eastern Trading Co, dedicada ao comércio de algodão, as fábricas têxteis foram capazes de passar os aumentos de preços ao longo do primeiro trimestre deste ano. A chave para muitos retalhistas e fabricantes será até que ponto estão a conter o aumento inflacionário no preço do algodão. A VF Corp, cujas marcas incluem jeans como Wrangler e Lee, disse que os aumentos de preços são inevitáveis. «Certamente, muitas das marcas do nosso portefólio diversificado estão a planear aumentos de preços selectivos», referiu um responsável da VF numa conferência em Outubro do ano passado. Retalhistas como Gap e J. Crew, que desenvolvem o vestuário que vendem nas suas lojas, podem personalizar tecidos e modelos, dando-lhes alguma protecção em relação ao aumento de preço. A Cárter, especialista em roupa de bebé, revelou que os preços do algodão eram o «grande vento contrário» aos seus negócios. «Estamos muito focalizados em como poderemos lidar com um pico anormal nos preços do algodão», afirmou um responsável da Carter numa conferência no ano passado. «Aumentámos os preços para a Primavera, não em todos os produtos, não a 100%, para cobrir esse aumento de custo» Raines referiu que o impacto total dos elevados preços do algodão não foi sentido até ao final do ano, quando as roupas fabricadas com fibras a preços de 2010 chegaram às lojas. «Achamos que o aumento nos preços do algodão ainda não percorreu a cadeia de aprovisionamento até às prateleiras das lojas de retalho», considera o responsável, acrescentando que as dificuldades nas lojas devem começar a ser sentidas no segundo trimestre de 2011. As importações de vestuário dos EUA atingem normalmente o pico por volta de Agosto – antes do último aumento nos preços do algodão – com a aproximação das férias de fim de ano, começando com o dia de Acção de Graças no final de Novembro até ao Natal e o Ano Novo. «Questiono-me como um comprador norte-americano inconformado, frugal, com a confiança nublada e que enfrenta o desemprego relativamente elevado irá responder a este sentimento do sector de preços mais altos no futuro. Temo que não vai acolher bem esta noção, de todo, significando dias difíceis em toda a cadeia de fornecimento de têxteis para os que não possuem um plano global de gestão de riscos implementado», concluiu Raines.