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Retalhistas internacionais apostam na China – Parte 2

No seguimento daprimeira parte, o Portugal Têxtil traz-nos a conclusão desta análise ao mercado retalhista da China.

As perspectivas optimistas dos retalhistas internacionais são reforçadas pela confiança mostrada pelos consumidores chineses nas políticas económicas do governo daquele país, bem como ao aumento do rendimento disponível e aumento do poder de compra, ao aparecimento de uma classe média em ascensão nas grandes cidades e bens mais baratos produzidos pelos fabricantes locais e estrangeiros.

Nas zonas rurais, as vendas de vestuário mantêm-se como o maior segmento no mercado não-alimentar total, apesar de ter caído dos 30,30% em 1997 para os 29,36% em 2003, acompanhando o desvio das compras dos chineses rurais para bens não essenciais, em particular as telecomunicações e os cosméticos.

Por outro lado, a concorrência tem vindo a crescer aceleradamente no segmento dos produtos de luxo, com os retalhistas estrangeiros a terem que enfrentar um mercado cada vez mais reduzido, graças ao abrandamento económico e às compras mais conscientes por parte dos consumidores.

Estes estão cada vez mais exigentes, e as grandes marcas internacionais já não podem confiar apenas nas suas insígnias para serem bem sucedidas…

Aliás, as vendas e o baixo movimento nas boutiques daKenzo,Christian Lacroix eGivenchy ilustra bem esta situação, revelando-se o design moderno e atractivo e os preços apelativos como os segredos para vendas elevadas.

Apesar disso, os projectos de estabelecimentos comerciais de retalhistas estrangeiros continuam a invadir a China, mesmo no sobrelotado mercado de Xangai, agravando ainda mais o problema do excessivo espaço retalhista e vendas em queda.

Algumas lojas de marcas de luxo continuam, ainda assim, a ter resultados muito positivos, incluindo aHugo Boss,Gucci ePrada. O líder neste segmento é aErmenegildo Zegna, que abriu a sua primeira boutique no Palace Hotel de Pequim, em 1991.

Uma das vias para a expansão neste enorme mercado é através do franchising, e doscorner shops em grandes armazéns comerciais.

Esta abordagem reduz naturalmente os investimentos implicados e os riscos envolvidos neste tipo de aposta, promovendo ao mesmo tempo a imagem das grandes cadeias retalhistas.

Assim, as lojas de marca única tenderão a escassear cada vez mais na China, à medida que forem sendo autorizados novosoutlets e centros comerciais, em especial aqueles das maiores cadeias mundiais de retalho.

Como exemplo desta estratégia, estão agora a surgir nas grandes cidades da China lojas de desporto, separadas dos grandes armazéns, vendendo equipamento desportivo e outros artigos de lazer.

A Wangfujing, em Pequim, tem um espaço de três pisos dedicado às grandes marcas internacionais de artigos desportivos, como aNike,Adidas,Reebok,New Balance,Fila eConverse, e tem vindo a conquistar o seu próprio espaço no concorrencial mercado retalhista chinês.

Na base do sucesso deste género de lojas estão o aumento do tempo livre por parte dos consumidores chineses, a cobertura televisiva que tem vindo a lançar o futebol como um dos desportos com maior número de espectadores e praticantes, e ainda a aposta da China na organização dos Jogos Olímpicos de 2008.

Na última década, o até então rigidamente controlado sector retalhista da China assistiu à chegada de diversos retalhistas estrangeiros.

Este impulso dado pelas marcas e retalhistas internacionais deve também estimular os próprios retalhistas chineses a enfrentar este competitivo mercado, através de um reposicionamento estratégico e da expansão.

As novas e aperfeiçoadas directivas relativas ao investimento neste sector, bem como a melhor definição e regulação dos canais de distribuição, que tendem a deixar as grandes cidades e a apostar nas localidades e províncias do interior da China, estão a contribuir para o alargamento das operações retalhistas neste país asiático.