Início Arquivo

Retalho a recuperar – Parte 2

No acesso aos mercados da América do Norte, cada retalhista possui uma abordagem muito própria (ver Retalho a recuperar – Parte 1), conforme evidencia a análise do Euromonitor International. No entanto, ao nível dos hábitos de consumo da população, estão a registar-se alterações com um impacto muito significativo no retalho. Apesar da tendência positiva de crescimento, o mercado norte-americano de vestuário permaneceu polarizado em 2012, na medida em que os consumidores continuam a gravitar entre o vestuário de menor preço e as opções de preço mais elevado, com marcas fortes. Na sua procura por valor, os consumidores têm fomentado o crescimento das lojas de desconto especializadas, as quais vendem a preços mais baixos os stocks excedentários das lojas convencionais. Conceitos de desconto como Ross, TJ Maxx e Marshalls lideraram as vendas no canal especializado em vestuário e registaram um crescimento consistente das vendas em valor no período em análise. Em 2012, a Burlington Coat Factory abriu uma loja em Nova Iorque, destacando o crescimento e a aceitação social destes canais. O alcance generalizado de retalhistas de desconto e uma base de consumidores extremamente consciente do preço têm colocado a pressão sobre os grandes armazéns. Muitas destas envolveram-se em descontos pesados e promoções frequentes, ou no crescimento dos seus próprios pontos de venda de baixo preço. As tribulações registadas na cadeia JC Penney são uma evidência da mudança nas preferências dos consumidores. Por outro lado, as gamas de produtos de marca própria assumiram uma nova importância. No Canadá, o crescimento está a ser liderado pela linha Joe Fresh da Loblaws, que opera com sucesso lojas independentes em todo o país, bem como cinco pontos de venda em Nova Iorque. Na esperança de que parte da popularidade da linha possa ajudar as suas vendas, a JC Penney lançou o conceito Joe Fresh “shop-in-shop” em 700 das suas lojas no mercado americano. Os grandes armazéns nos EUA têm investido nas marcas próprias e em coleções exclusivas como forma de recuperar a perda de vendas para o retalho de internet e canais especializados. As colaborações com designers de gama alta têm sido uma tática bem utilizada, mas a complexidade nem sempre resulta. Este ponto foi ilustrado pela colaboração entre os grandes armazéns Neiman Marcus, a Target e 24 designers americanos para o Verão de 2012, que acabou em saldos apenas três semanas após o seu lançamento. Uma categoria que emergiu como um fator impulsionador do valor das vendas na América do Norte tem sido o vestuário de desporto. Nos EUA, as vendas de sportswear cresceram uns impressionantes 8,3% em 2012, em comparação com o crescimento de 2,2% no vestuário em geral. O sucesso pode ser atribuído à crescente popularidade dos desportos individuais, como corrida, ciclismo, yoga e pilates. Apesar do preço continuar a ser importante, os consumidores de sportswear estão mais conscientes da qualidade do produto, da inovação e do nível de desempenho do que noutras categorias de vestuário. Este aumento da disposição para pagar mais tem suportado a venda de marcas com valor acrescentado, como Nike e Lululemon. Muitas marcas têm também orientado o seu foco para o público feminino, que deseja o mesmo nível de alta qualidade como os atletas do sexo masculino, mas com um elemento de moda. De acordo com o Euromonitor International, o crescimento na América do Norte continuará a ultrapassar o da Europa Ocidental, e a China irá finalmente ultrapassar os EUA para se tornar no maior mercado individual de vestuário do mundo em 2017 em termos de vendas. No entanto, os EUA continuarão a ser um centro para a inovação do retalho e desenvolvimento de moda. De salientar ainda que, para além do impulso no retalho de marcas internacionais, a crescente sofisticação do canal on-line, nomeadamente através da evolução do m-commerce e s-commerce (comércio social), deverá caracterizar o panorama futuro do mercado de vestuário.