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Retalho abranda em abril

Os dados do Office for National Statistics (ONS) mostram que o valor total das vendas no retalho subiu apenas 0,4% em termos anuais – tornando esta a menor taxa de crescimento desde janeiro de 2010. Excluindo os combustíveis, os números mostram um crescimento zero dos valores totais de vendas em comparação com abril do ano passado. A desaceleração deveu-se principalmente ao declínio nas lojas de produtos têxteis, de vestuário e calçado, segundo o ONS. «O tempo miserável resume o humor de muitos clientes e resultou em dificuldades de longa data para os retalhistas, especialmente aqueles que tentam vender vestuário e calçado», comenta Stephen Robertson, diretor-geral do British Retail Consortium (BRC). «O interesse na moda de verão e nos produtos de ar livre foi bom no sol de março, mas abril foi um fracasso. As vendas de abril iam sempre ter dificuldade contra o forte desempenho de há um ano atrás, ajudado por um clima melhor, uma Páscoa mais tardia e um feriado adicional, mas as diminuições de vendas em termos reais são más notícias», acrescenta. «A descida da inflação oferece alguma esperança para os clientes, mas os rendimentos disponíveis continuam a cair e as pessoas não estão a gastar em coisas que não sejam necessidades imediatas. Os retalhistas estão a contar com o regresso do sol nos últimos dias e a preparação para os grandes eventos deste verão produz um muito necessário impulso nos ânimos do público, mas uma reviravolta fundamental permanece ilusória», considera. Para Matt Piner, consultor na Conlumino, «com os altos inebriantes do bom tempo, o casamento real e o feriado adicional no ano passado, não é de estranhar que não haja crescimento em 2012. A chuva, sem dúvida, desempenhou um papel, especialmente ao manter as pessoas longe das lojas, mas a melancolia pós-orçamento, as notícias a confirmarem um regresso à recessão e a contínua pressão sobre as finanças das pessoas são um melhor reflexo do tipo de fatores subjacentes que estão no cerne da despesa anémica». Piner destaca ainda que «apesar do crescimento zero, a inflação ainda se encontra em níveis elevados, com volumes firmemente negativos. Os compradores são muito mais ponderados no seu comportamento e, como resultado, compram menos. As perspetivas para os próximos três a seis meses parecem realmente um pouco melhores, pois deparamo-nos com comparações mais fracas, o tempo melhora e espero que a inflação diminua ainda mais. Além disso, os Jogos Olímpicos, o Jubileu, o Euro 2012 e um par de feriados devem dar um impulso ao sentimento geral». No entanto, ressalva que num prazo mais longo «o quadro é sinistro, mais uma vez. Há, sem dúvida, alguma dificuldade proveniente da turbulência na Zona Euro, uma quantidade significativa de cortes de gastos planeados que não estão ainda em vigor e, para a maioria, o dinheiro deverá, na melhor das hipóteses, permanecer apertado. Em resumo, o regresso a um patamar mais estável parece ainda um pouco distante».