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Retalho aceita o futuro

O que acontece quando os consumidores deixam de procurar bens materiais porque vivem em rede e preferem experiências digitais? O resultado é a ascensão de novos conceitos de retalho e todos orbitam a inovação tecnológica.

O evento Wired Retail, que decorreu no passado dia 16 de novembro, em Londres, reuniu executivos, empresas emergentes e grandes grupos que anteciparam o futuro do retalho. A iniciativa abordou tópicos tão diversos como os pagamentos online, a realidade virtual, a impressão 3D, os drones e a personalização – e o portal de tendências WGSN selecionou aqueles que poderão ter maior impacto no curto-prazo.

Ao longo do dia, a conferência destacou temas como o comércio conversacional (ver O ano do #ConvComm), marcas diretas ao consumidor (ver Marcas encurtam distâncias), bem como novos desenvolvimentos nas áreas das realidades aumentadas e virtuais.

No entanto, a intervenção que mais chamou a atenção dos presentes na conferência foi a de Jody Medich, da Singularity University Labs, que abordou a ascensão de um “futuro desmaterializado” (ver Quando a moda é aumentada). Tudo aquilo que Medich apontou – como a explosão da realidade virtual e aumentada nas tarefas quotidianas – surge num momento em que os consumidores estão cada vez menos interessados em objetos físicos e focados em experiências.

Segundo Medich, a convergência dos avanços na impressão a três dimensões (3D) e na inteligência artificial e robótica, juntamente com a realidade virtual, vai mudar a forma como os consumidores fazem o seu caminho desde a escolha do produto até ao ato de compra.

No futuro próximo, os consumidores terão assistentes virtuais que vão ajudar na seleção de um coordenado, vão poder alugar itens como vestuário e joalharia que só podem ser vistos através de lentes de realidade virtual e fazer do seu quarto um provador.

Por seu lado, Andy Burgess, responsável de retalho da Google Cloud, defendeu que só o machine learning pode fazer com que as empresas sejam mais eficientes. A inteligência artificial e os esforços de machine learning da Google são bem conhecidos e Burgess adiantou que esses esforços estão agora a ser transferidos para o retalho. Dentro das empresas já «tivemos o móvel e a nuvem» e a inteligência artificial será a «próxima grande mudança tecnológica», sustentou.

Como poderá o retalho utilizar o machine learning? «Será preciso desenvolver qualquer coisa na qual possamos colocar inteligência artificial, simples de usar, natural e preditiva», defendeu.

Já Randy Dean, da Sentient Technologies, abordou a questão das caixas de pesquisa. «Temos de nos livrar das caixas de pesquisa e deixar os produtos falarem por si», incitou. O conselho do diretor de negócios da Sentient Technologies foi direcionado a todos os retalhistas online que queiram aumentar as vendas e reter clientes.

Dean exortou a audiência da Wired Retail a parar de esperar que os clientes usem interfaces desatualizados e façam todo o trabalho. «As nossas ligações à Internet tornaram-se infinitamente mais rápidas durante a última década, mas os retalhistas ainda esperam que o comportamento do cliente seja igual», afirmou.

Por sua vez, o Metapixel Studio garante ter desenvolvido o scanner mais “realista” do mundo. Depois de uma conversa à mesa de um café, David Herman e Robbie Cooper decidiram construir um equipamento portátil de digitalização.

Demorou meses, mas com o recurso a 105 câmaras Nikon, o Metapixel Studio criou um scanner de alta resolução para pessoas e objetos. «Queríamos criar a plataforma de digitalização portátil de mais alta resolução do mundo», explicou David Herman, diretor administrativo do Metapixel Studio, aos participantes da Wired Retail.

O scanner de alta resolução do Metapixel Studio apresenta várias aplicações dentro da publicidade e retalho – seja para televisão, realidade virtual ou online.

Não obstante, o futuro do retalho não está exclusivamente online – pelo menos para Antony Ritch, da Westfield. Em vez disso, Ritch prevê que os dois mundos se fundam numa massa homogénea muito rapidamente.

Ritch lidera o Westfield Labs, braço de desenvolvimento digital da gigante do retalho físico. O objetivo é integrar o melhor da moda, alimentação, lazer, entretenimento e tecnologia, em parceria com grandes marcas, de forma a preparar um sector em rápida evolução.