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Retalho acompanha mudança

A ascensão do comércio eletrónico, a adoção de tecnologia cada vez mais inteligente, a entrega rápida e a necessidade de uma crescente transparência na cadeia de aprovisionamento deverão assumir-se como as principais diretrizes do retalho ao longo do corrente ano, segundo os especialistas.

A Fung Global Retail & Technology elegeu os eixos de mudança no retalho em 2017, divulgados pelo portal Just-style.

Caminho mais direto para os consumidores

Nos últimos 10 anos, a ascensão do comércio eletrónico forçou os retalhistas a adaptarem-se às mudanças exigidas pelos consumidores. Agora, o crescimento do comércio eletrónico continua a acelerar e a ultrapassar o crescimento do retalho tradicional – as vendas online representaram quase 20% do total de vendas nos EUA durante a quadra natalícia.

De acordo com os especialistas, as marcas podem esforçar-se mais e trabalhar as vendas em loja com a abertura de s pop-up. Com estes espaços, as marcas têm total controlo criativo sobre a mensagem que é comunicada aos consumidores.

Outra forma de chegarem diretamente aos consumidores é através das redes sociais. O Instagram e o Pinterest, por exemplo, oferecem agora uma ferramenta de vendas. Além de permitir que os utilizadores façam compras através da sua plataforma, o Instagram possibilita que as marcas partilhem diretamente a sua história de marca e mensagens com os utilizadores.

Consolidação e falência das lojas

Os EUA têm excesso de lojas e de centros comerciais. Os grandes armazéns, tradicionalmente, serviam como âncoras dos shoppings, mas foram desafiados em várias frentes: os operadores de shopping fecharam algumas unidades e mudaram outras, o comércio eletrónico cresceu rapidamente, os retalhistas de moda rápida e as cadeias de desconto trouxeram nova concorrência e os formatos de loja mais pequenos e acolhedores têm conquistado a preferência dos consumidores.

Os retalhistas e particularmente os operadores de grandes armazéns e de lojas especializadas deverão fechar mais lojas em 2017 do que no passado, indicam os dados recolhidos, e a maior parte dos encerramentos acontecerá em centros comerciais.

Maior concorrência no vestuário

A concorrência no segmento de vestuário nos EUA deverá intensificar-se em 2017 devido à chegada de novos jogadores e maior concorrência entre os existentes. As marcas e os grandes armazéns devem sentir a intensificação da competitividade na sequência do crescente foco da Amazon na categoria. O Euromonitor International e a Forrester Research esperam que a Amazon triplique a participação no mercado de vestuário nos próximos cinco anos.

Os robots estão a chegar

O aumento dos custos de mão-de-obra está a incentivar os retalhistas a diminuir os gastos e a aumentar a produtividade através de um maior investimento em tecnologias inovadoras como a robótica, a automação e a inteligência artificial (IA). Em 2017, estas tecnologias deverão estar ainda mais ao serviço do cliente e a correr em loja. A Amazon continuará a liderar o pacote em termos de inovação tecnológica.

Cadeia de aprovisionamento

A digitalização, uma expressão usada há mais de 20 anos, continua a transformar a estrutura de gestão da cadeia de aprovisionamento. Atualmente, ainda existem empresas que usam a gestão da cadeia de aprovisionamento híbrida – ou seja, metade digital e metade analógica – e a maioria dos analistas acredita que essas empresas precisam de adotar a total digitalização, caso pretendam prosperar no mercado cada vez mais competitivo.

Como é esperado que 2017 tenha um ambiente de comércio global mais incerto, os retalhistas deverão explorar formas de acelerar a velocidade e a agilidade dos seus fornecedores, para que a transparência e afinação da cadeia de aprovisionamento sejam a chave. As empresas vão também começar a explorar estratégias como o aprovisionamento de proximidade e tecnologias como a identificação por radiofrequência (RFID).

Realidade aumentada

A CB Insights estima que o investimento em Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) tenha chegado aos 2,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 2,5 mil milhões de euros) em 2016, muito acima dos 703 milhões de dólares em 2015.

A Neiman Marcus estreou espelhos inteligentes no seu departamento de moda em 2014 e expandiu a tecnologia aos departamentos de beleza em 20 das suas lojas. No entanto, ainda que os espelhos inteligentes e as apps de beleza virtuais oferecem novidade aos consumidores, ainda não foi possível chegar a uma tecnologia revolucionária capaz de replicar uma experiência realista.

Entrega com drones

Durante uns meses, 2016 parecia ser o ano da entrega com drones. No entanto, os entraves legais fizeram com que alguns projetos não chegassem a levantar voo. Em 2017, por um lado, as empresas continuam a avançar com os seus projetos – a Flirtey e a 7-Eleven já deram um passo nessa direção, fazendo várias dezenas de entregas com drones na área do Reno, no estado do Nevada, EUA, em novembro.

Já a Amazon, outrora líder da investida, não foi capaz de chegar tão longe – a empresa completou a sua primeira entrega com sucesso no Reino Unido no final de 2016. Nesta altura, porém, ainda não se sabe como irá a Amazon desenvolver a sua atividade de testes e registo de patente no Reino Unido. No passado, a retalhista online não obteve comentários positivos em relação aos seus esforços de regulamentação nos EUA, mas não seria uma surpresa ver a Amazon a conduzir uma experiência de entrega maior e mais controlada em solo norte-americano já este ano.

Batalha do marketplace

Marketplaces como a Amazon e o Walmart estão a esforçar-se por conseguir uma maior participação nas vendas de comércio eletrónico nos mercados ocidentais, incluindo Europa e EUA. Estas demografias estão a seguir os passos da China e da Índia, onde plataformas como Tmall, JD.com e Flipkart dominam há muito tempo o retalho online.

Vestuário monomarca

A H&M, Primark e Zara devem continuar a ser os nomes de crescimento mais rápido no retalho de vestuário em 2017. Jogadores online como o Boohoo.com integrarão também o grupo.

O retalho multimarca de vestuário está longe de morrer. No entanto, o crescimento futuro parece estar nos canais off-price e e-commerce, com ambos a dominar em termos de preço e, portanto, de margens.

Ferramentas digitais ao serviço do cliente

A tecnologia móvel mudou a forma como os consumidores interagem com as marcas e, consequentemente, os retalhistas e as empresas de retalho precisaram de investir em recursos digitais que respondessem ao comportamento do consumidor em mudança. No entanto, uma área que ficou aquém desta transformação digital foi a gestão dos funcionários de loja que, em muitos casos, ainda estão limitados a usar sistemas e infraestruturas antiquadas. No entanto, cada vez mais retalhistas estão a capacitar os funcionários de loja com soluções móveis e a expectativa é que a tendência descole significativamente no corrente ano.