Início Notícias Mercados

Retalho americano ganha vigor

As vendas a retalho nos EUA registaram em abril o maior aumento do último ano, com os americanos a retomarem as compras de automóveis e de vários outros tipos de produtos, sugerindo que a economia está a novamente a ganhar dinamismo depois do crescimento ter praticamente estagnado no primeiro trimestre.

O aumento nas vendas, revelado pelo Departamento de Comércio do país, é um impulso para o sector, que tem sido afetado pelo abrandamento da procura. Surge dias depois dos principais retalhistas, incluindo a Macy’s e a Nordstrom, terem anunciado queda das vendas no primeiro trimestre e terem revisto em baixa as suas previsões de lucro para o ano completo.

«As notícias do desaparecimento dos consumidores parecem ser prematuras», afirma Joel Naroff, economista-chefe na Naroff Economic Advisors.

As vendas a retalho aumentaram 1,3% em abril, o maior ganho desde março de 2015, depois de terem caído 0,3% face ao mês anterior. Excluindo automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços de alimentação, as vendas a retalho subiram 0,9% no mês passado, depois de um aumento de 0,2% em março.

Embora os sinais de aceleração do consumo sejam bem-vindos pelos responsáveis da Reserva Federal (Fed), serão provavelmente insuficientes para o banco central dos EUA aumentar as taxas de juro no próximo mês, uma vez que a inflação continua estagnada.

Um segundo relatório do Departamento do Trabalho mostra que o índice de preços no produtor subiu 0,2% no mês passado, depois de ter descido 0,1% em março. Nos 12 meses até abril, este índice manteve-se inalterado.

A inflação continua a ser travada pelos efeitos reminiscentes da valorização do dólar e da queda dos preços do petróleo.

«Os números atuais reforçam materialmente aqueles que querem que o Fed aumente a taxa de juro em junho, mas continuamos com dúvidas sobre se esta visão vai prevalecer, a não ser que haja um relatório de emprego especialmente robusto no início de junho», destaca Anthony Karydakis, estratega económico chefe na Miller Tabak.

Consumidores otimistas

As perspetivas para o consumo tiveram um impulso graças a um terceiro estudo que mostra que a confiança entre as famílias subiu, no início de maio, para o valor mais alto em 11 meses, estimulado por um aumento estável nos rendimentos, melhor perspetivas de emprego e baixa inflação.

A Universidade do Michigan revelou que o índice de confiança do consumidor aumentou 6,8 pontos, para 95,8 pontos no início do mês, a leitura mais alta desde junho de 2015. A confiança subiu entre todos os grupos de rendimentos e faixas etárias, com grandes ganhos entre as famílias de baixos rendimentos e mais jovens.

Como resultado do crescimento das vendas a retalho no mês passado, o Fed de Atlanta aumentou as suas estimativas de crescimento do PIB no quarto trimestre, para uma taxa anual de 2,8% em comparação com 2,2%.

O crescimento económico travou para um ritmo de 0,5% nos primeiros três meses de 2016, depois de ter crescido a 1,4% no quatro trimestre.

Mas os dados sobre o consumo na construção e encomendas em fábricas, assim como um quarto relatório sobre inventários do Departamento de Comércio, sugere que a estimativa de crescimento do PIB no primeiro trimestre será revista em alta para um aumento de 1,2% quando o governo publicar a sua revisão este mês.

As vendas a retalho têm sido lentas em parte devido a um mercado laboral mais difícil, que não gerou um forte crescimento dos salários. Algumas das poupanças resultantes dos preços mais baixos da gasolina no último ano e meio foram absorvidas pela subida das rendas e dos custos dos cuidados de saúde.

A Macy’s, a maior cadeia de grandes armazéns, revelou recentemente que as vendas comparáveis desceram 5,6% no primeiro trimestre e antecipa que as vendas do ano completo caiam 3% a 4%.

A Nordstrom indicou que as vendas comparáveis desceram 1,7% no primeiro trimestre e reviu em baixa as suas previsões anuais de lucro, de 3,10 a 3,35 dólares por ação para 2,50 a 2,70 dólares por ação.

«O estudo gerou algum franzir de sobrancelhas tendo em conta a lista de comentários negativos dos retalhistas, mas essa justaposição é uma recordação útil de que as empresas cotadas em bolsa representam uma minoria da atividade económica nos EUA», sublinha Michael Feroli, economista na JPMorgan, em Nova Iorque.

O relatório do Departamento de Comércio mostra que o crescimento das vendas a retalho em abril é transversal a todas as categorias, com exceção de materiais de construção e equipamentos de jardim. As vendas de automóveis registaram o maior ganho em 13 meses, depois de terem caído em março. As vendas em lojas de vestuário aumentaram pelo valor mais elevado desde maio de 2015.

Os retalhistas online, por seu lado, registaram a maior subida das vendas desde junho de 2014. Os consumidores também gastaram mais em artigos de desporto e passatempos, eletrónica e eletrodomésticos e visitaram restaurantes e bares.