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Listas de Natal já têm favoritos

Este ano, as listas de Natal vão ter como denominador comum as últimas atualizações em eletrónica, Realidade Virtual (RV) e brinquedos tecnológicos. Serão os retalhistas capazes de realizar os desejos dos consumidores?

 

Um em cada quatro consumidores já começou as compras de Natal, afirma Jordan Rost, vice-presidente de pesquisa do consumidor na Nielsen, ao Retail Dive. «E vai ser um grande ano em termos de compras online», acrescenta.

Já Dave Marcotte, vice-presidente de aconselhamento estratégico da Kantar Retail,  espera que os mais vendidos da última temporada se mantenham no topo das listas – isto é, os trackers da Fitbit, o Echo da Amazon e os drones (com propostas de diferentes empresas) –, paralelamente a novos gadgets. «Os produtos da Amazon vão vender de forma agressiva», refere, e coisas novas, como óculos, fones e sistemas de Realidade Virtual vão, também, «explodir».

São estes, de acordo com os analistas, os quatro produtos que deverão ter maior protagonismo na época natalícia que se avizinha.

Dispositivos da Amazon

O dispositivo Echo, uma coluna bluetooth da Amazon que tem também um assistente virtual incorporado, tem tido um bom feedback dos utilizadores e deverá ser um dos mais concorridos nesta quadra. A apresentação do Echo, no ano passado, e a estreia da versão mais pequena e mais barata Echo Dot, no início deste ano, renovaram a posição da Amazon como divisora de águas na oferta deste tipo de dispositivos.

A tecnologia de inteligência artificial Alexa, a “voz” do Echo e do Echo Dot, é a funcionalidade mais popular. Com a Alexa no comando, os dispositivos podem responder a perguntas, controlar outros dispositivos inteligentes e ajudar a comprar na Amazon. «Em termos de tendências, neste Natal a “voz” vai merecer destaque com o Echo e o Dot da Amazon», acredita Ben Arnold, analista do NPD Group.

O Echo é vendido a 179 dólares (aproximadamente 164 euros), enquanto o pequeno Dot, tem um preço de 49 dólares e uma segunda geração, divulgada a 20 de outubro, é um presente de Natal mais acessível.

Realidade Virtual

Muitos dos grandes jogadores no campo da tecnologia decidiram lançar uma versão própria de hardware de Realidade Virtual, incluindo o conjunto Oculus Rift do Facebook, a Sony PlayStation VR, o HTC Vive e o Samsung Gear. Há, também, uma alternativa de baixo preço, o Google Cardboard, que custa menos de 25 dólares.

Todos estes produtos de hardware de Realidade Virtual devem vender-se bem este Natal, mas a falta de conteúdo convincente pode diminuir a procura, admite Arnold, do NPD. «Estamos empolgados com a quantidade de opções de Realidade Virtual no mercado este ano. Mas, com tantos produtos, temos visto a exigência a aumentar», aponta. «Dependendo do nível de orçamento e sofisticação, todos podem experimentar a Realidade Virtual», acrescenta.

Não obstante, as perguntas sobre o lado comercial da tecnologia continuam. Os verdadeiros gamers devem devorar todas as propostas, mas o apelo mainstream ainda não aconteceu. O ponto de preço dos gadgets pode ser outro obstáculo.

Brinquedos tecnológicos

No ano passado, os retalhistas e os consumidores renderam-se ao BB8 da Sphero, o pequeno droide da saga “Star Wars”. Juntamente com outro merchandising do filme “O despertar da força”, o BB8 ajudou a alavancar as vendas de brinquedos tecnológicos no último Natal e, este ano, a tradição será mantida. «Com base no que se costuma vender durante a quadra natalícia, os meses de novembro e dezembro serão impulsionados por preços altos. Estamos a falar de brinquedos de 70 dólares, 100 ou 300 dólares», explica Juli Lennett, do grupo NPD. «As crianças vão colocá-los nas suas listas de desejos e esta é a época do ano em que os pais gastam mais dinheiro com presentes caros».

Os mais velhos também se vão render às tecnologias. «Estar conectado é, por si só, uma atração…controlar um brinquedo com o smartphone e usá-lo como dispositivo. Temos mais fabricantes a pegarem em jogos e brinquedos populares e a adicionar-lhes componentes eletrónicas ou conectadas», acrescenta Lennett.

Drones

Brinquedos voadores e high-tech controlados por aplicações, mais conhecidos como drones, vão voltar a dominar a época de compras. Este Natal, todos, dos iniciados aos “geeks” vão ter várias marcas e muitas funcionalidades para escolher.

A venda de drones foi significativa no ano passado, recorda Arnold, do NPD. «Considerando que este é o ano dois, há muito mais produtos no mercado e com vários preços», revela.

O problema, porém, é que os retalhistas ainda não descodificaram a parte comercial da nova tecnologia, afirma Jim Crawford, fundador e CEO da consultora Red-Lab. «Os drones assumiram-se como um hobby e agora partilham a popularidade com artigos como bicicletas de montanha», destaca.

Considerando a fama dos drones, nesta temporada, uma das empreitadas mais importantes para os retalhistas será orientar os consumidores através do processo de compra. «O meu conselho para os retalhistas é que desenvolvam uma experiência específica e omnicanal em volta destes produtos», sugere Crawford. «Devem começar no website, para educar os clientes sobre a categoria e sobre a potencial utilização dos produtos e, depois, traduzir essa educação para a experiência da loja física».

Andrea Fishman, da consultora norte-americana PwC, refere ainda que o sucesso dos retalhistas neste segmento se vai centrar na experiência de compras, na conveniência e em ter o produto em stock durante a temporada de compras. «No final, tudo se resume a conveniência e a reduzir o atrito», resume Fishman. «Facilitar, interligar e reduzir o atrito no processo de compra e apostar em associados de vendas capazes de ajudar a encontrar produtos e de explicar as suas funcionalidades aos consumidores», vão ditar a sorte dos retalhistas.