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Retalho brasileiro em alta

Há medida que a inflação atinge o nível mais alto dos últimos seis anos no Brasil, os retalhistas foram capazes de passar o aumento dos custos para os consumidores, segundo os analistas. No entanto, as recentes aquisições de empresas e as preocupações causadas por uma economia em abrandamento podem ensombrar os resultados sólidos provenientes das vendas. O Grupo Pão de Açúcar, o maior retalhista diversificado do Brasil, que irá revelar os seus resultados na próxima segunda-feira, deverá registar um forte crescimento do lucro em termos anuais, segundo uma sondagem da Reuters junto de quatro analistas. «Esperamos que o crescimento das vendas do Pão de Açúcar beneficie da mudança da Páscoa, mas seja afectado pela inflação mais elevada dos bens alimentares», indica o analista do Goldman Sachs, Irma Sgarz, numa nota a clientes. Os analistas prevêem um aumento médio de 73% no lucro, para os 108 milhões de reais (48,48 milhões de euros), mas os investidores podem ainda assim manter a sua distância após a fusão falhada com o braço local do Carrefour devido a divisões entre os accionistas que controlam a empresa. O Hypermarcas, o maior produtor de artigos de consumo descartáveis no Brasil, deverá ver o seu lucro aumentar 37% em comparação com o ano anterior, para os 73 milhões de reais, tendo integrado a recente aquisição da Mantecorp. Os investidores podem empurrar as acções da empresa mais para baixo se virem um declínio sequencial nas vendas após a mudança na política de vendas do Hypermarcas. As acções caíram cerca de 43% este ano. Um recente relatório do analista Carlos Albano do Citigroup indica que a performance de vendas pode surpreender pela negativa porque a adaptação dos clientes do Hypermarcas à nova política de vendas está a demorar mais tempo do que o esperado. Já a retalhista de vestuário Lojas Renner pode ter visto as margens de lucro esmagadas após a compra do retalhista de artigos para a casa Camicado. No entanto, o tempo invulgarmente frio em Maio e Junho provavelmente suportou as vendas de vestuário. A Renner deverá obter um lucro de 108 milhões de reais no segundo trimestre, mais 18% do que no mesmo período de 2010. A Renner beneficiou de um aumento de quota das importações de vestuário, o que baixou os custos, já que a moeda brasileira, o real, negociou perto do valor mais alto dos últimos 12 anos no segundo trimestre. As celebrações da Páscoa em Abril em vez de Março também deverá ter ajudado a impulsionar os ganhos para o retalhista discount Lojas Americanas, para quem se antecipa um lucro 50% mais alto do que em 2010, para 43 mil milhões de reais, segundo a sondagem. Contudo, as margens da empresa podem deteriorar-se no segundo semestre, quando retomar o ritmo de abertura de novas lojas para responder ao objectivo de chegar às 100 até ao final do ano. Já o retalhista de artigos de electrónica B2W continua a ficar atrás dos seus pares à medida que a concorrência cresce e luta com dificuldades para ter resultados com a reestruturação das suas operações de logística. Ainda assim, a empresa deverá reverter da situação de prejuízo registada no primeiro trimestre, com um lucro de 7,4 milhões de reais no segundo trimestre. A B2W e a Lojas Americanas revelam os resultados a 4 de Agosto, enquanto a Hypermercas e a Lojas Renner dão conta dos resultados a 15 de Agosto.