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Retalho britânico acusa segundo confinamento

Com as novas restrições desencadeadas pela evolução da pandemia, as perspetivas para o retalho do Reino Unido estão agora sob ameaça, um quadro que nem a época natalícia parece animar. Exemplo disso, é a Primark que, face aos recentes resultados, estima um prejuízo de 375 milhões de libras em vendas perdidas.

[©Sourcing Journal]

Boris Johnson, o primeiro-ministro britânico, decretou um segundo confinamento nacional, que afeta os negócios de bens não essenciais como é o caso das lojas de rua de vestuário. A medida seguiu-se logo após a França e a Bélgica terem implementado o recolher obrigatório, assim como outras medidas restritivas para controlar o aparecimento de novos casos de Covi-19.

O recidivo confinamento do Reino Unido está previsto até ao dia 2 de dezembro, mas poderá durar mais tempo caso seja necessário. De acordo com o Sourcing Journal, este poderá ter sido o motivo pelo qual a Springboard decidiu rever as previsões para o feriado de Natal, que apontam para que o fluxo de pessoas nas semanas de 22 de novembro a 26 de dezembro registe uma quebra de 62% comparativamente com o ano anterior. A mudança é significativa, tendo em conta que a previsão original assinalava um declínio de apenas 32,7%. A Springboard antecipa ainda que a movimentação em todo o Reino Unido sofra uma baixa de 78,8%, enquanto o pais estiver confinado de 5 de novembro a 2 de dezembro, com as artérias principais a serem as mais afetadas, com uma diminuição de 87,3%

Perder oportunidades

«As restrições do confinamento nacional vão fazer com que os nossos retalhistas em dificuldades percam o início das semanas essenciais do comércio de Natal, incluindo o fim de semana da Black Friday, já que o retalho considerado não essencial permanecerá encerrado, pelo menos, até ao dia 2 de dezembro», afirma Diane Wehrle, diretora de insight da Springboard.

Boris Johnson [©Sky News]
O confinamento começa já na quinta-feira e, à partida, terminará, deste modo, quatro semanas depois. O País de Gales estava anteriormente em alerta máximo, com vários confinamentos locais devido ao aumento do número de infeções por Covid-19.

Na Europa continental, a França, Itália e Espanha encetaram a adoção de restrições mais severas face às deslocações. Na última sexta-feira, a França entrou num segundo confinamento, que se prolongará até 1 de dezembro, mas desta vez as escolas e os locais de trabalho vão permanecer abertos. O confinamento parcial está em vigor na Alemanha, que começou a aplicar medidas mais abrangentes na segunda-feira, e, na Bélgica, que adotou medidas restritas que terão início a partir de domingo.

Fechar portas a milhões

Os novos desenvolvimentos de combate perante a pandemia incentivaram a Associated British Foods (ABF), empresa detentora da Primark, a divulgar uma atualização operacional. A retalhista britânica prevê um prejuízo de 375 milhões de libras (cerca de 417 milhões de euros) em vendas perdidas com o segundo encerramento das lojas.

«A partir de hoje, todas as lojas Primark na República da Irlanda, França, Bélgica, País de Gales, Catalunha na Espanha e Eslovênia estão temporariamente fechadas, o que representa 19% do nosso espaço total de vendas no retalho. O período de encerramento decretado varia de acordo com o mercado. O governo do Reino Unido anunciou a intenção de fechar as lojas não essenciais na Inglaterra durante um mês, de 5 de novembro a 2 de dezembro. Assumindo que isso é aprovado pelo Parlamento do Reino Unido dia 4 de novembro, 57% do nosso espaço total de vendas será temporariamente encerrado a partir de 5 de novembro.», refere a ABF.

[©BBC]
«O horário de funcionamento também está restringido noutros mercados. A incerteza sobre o encerramento temporário de mais lojas no curto prazo mantém-se», acrescenta.

Até ao momento, 231 lojas de um total de 387 estão de portas fechadas graças à segunda vaga da crise sanitária.

Falso amortecimento

A Primark fez ainda questão de salientar que todos os pedidos feitos aos fornecedores «serão honrados», mesmo que isso «implemente planos operacionais para gerir os fechos e reduzir os custos operacionais».

Segundo a análise da Springboard, os destinos de retalho no Reino Unido verificaram um aumento de 6,2% no tráfego pedonal em relação à semana anterior, apesar do declínio de 53,7% no Reino Unido confinado. Pelo contrário, Londres situou-se no nível dois do sistema de três níveis do país, enquanto algumas partes do Norte entraram no nível três.

«O número de visitantes aumentou em todos os três tipos de destino, mas os centros comerciais foram os mais beneficiados, o que pode querer dizer que os consumidores aproveitaram ao máximo o intervalo para fazer compras mais cedo para o Natal de forma a evitar filas», esclarece Diane Wehrle.

[©WWD]
«Desnecessário será dizer que com o anúncio de sábado do confinamento a começar na quinta-feira, é provável que o número de pessoas aumente, à medida que os consumidores tentam fazer compras essenciais e de Natal antes que todas as lojas de retalho consideradas não essenciais fechem durante um mês na quinta-feira. Mesmo que o movimento amorteça as quedas durante os quatro dias de comércio, ao longo do próximo mês os resultados vão ser bem distintos, com uma quebra anual que pode atingir os 80%», revela.