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Retalho cai no Reino Unido

As vendas no retalho caíram ao ritmo anual mais rápido dos últimos seis anos e os preços das casas caíram em Março, segundo dados revelados no início de Abril, sublinhando a fragilidade da recuperação económica do Reino Unido. O PIB da Grã-Bretanha encolheu no final de 2010 e o crescimento este ano deverá ser modesto, face aos cortes nos gastos públicos, aumento de impostos e desemprego elevado, que estão a afectar a confiança do consumidor. O Banco da Inglaterra, sob pressão para reduzir a inflação acima da meta, tem mantido as taxas de juro num nível baixo recorde de 0,5% desde há mais de dois anos, enquanto aguarda sinais de que a economia está a ganhar velocidade. O British Retail Consortium divulgou que as vendas a retalho para igual número de lojas foram 3,5% menores em comparação com Março do ano passado, a sua maior queda desde Abril de 2005. O total das vendas, uma medida que inclui novas áreas comerciais, caiu 1,9%, a pior queda desde que o BRC (British Retail Consortium) começou a recolher estes dados em 1995. «Esta é uma forte evidência da pressão que os clientes e os comerciantes estão a sentir», disse o director-geral do BRC, Stephen Robertson. «A desconfortavelmente elevada inflação e o baixo crescimento dos salários produziram a primeira queda anual no rendimento disponível desde há 30 anos». O corpo do comércio instou os responsáveis políticos a atrasar o aumento das taxas de juro, referindo que uma subida «faria mais mal do que bem». Outro factor a considerar em qualquer decisão sobre as taxas serão os dados da inflação de Março no Reino Unido. A inflação anual nos preços ao consumidor deverá manter-se estável nos 4,4%, mais do dobro do alvo de 2% do banco central. Aumentar os custos dos empréstimos antes da recuperação económica ganhar impulso iria alarmar os retalhistas britânicos, que publicaram uma série de alertas de lucro nas últimas semanas. Um dos retalhistas de maior perfil foi a Dixons, principal retalhista britânico de produtos eléctricos. Outras empresas a alertarem para as perspectivas difíceis incluem o grupo de componentes eléctricos Kesa, o vendedor de tapetes Carpetright, o fabricante de chocolate Thorntons e o retalhista de peças para automóveis Halfords. Um segundo inquérito divulgado em meados de Abril reforçou a mensagem pessimista, mostrando que os preços das casas em Inglaterra e no País de Gales caíram em Março, embora a um ritmo mais lento do que em Fevereiro. A Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS) revelou que mais de 23% dos inspectores relataram uma queda em vez de um aumento nos preços dos imóveis em Março, em comparação com 26% dos inspectores em Fevereiro. Os empréstimos apertados, as preocupações com um possível aumento da taxa e as dúvidas sobre as perspectivas económicas têm intimidado os compradores, segundo afirmou a RICS. «Parece que a recuperação geral do mercado imobiliário nacional está ainda longe», concluiu o porta-voz da RICS, Ian Perry.