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Retalho deve apostar nos BRIC

O director de economia global da Deloitte Research, Ira Kalish, comentou os principais mercados emergentes de retalho na Retail London Conference, que decorreu no início de Abril, com especial enfoque nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Brasil «O Brasil descolou e está a crescer rapidamente», disse Kalish. «Este ano vai provavelmente crescer um pouco mais lentamente do que no ano passado devido a uma política monetária apertada, mas em termos de retalho é muito promissor. Já existe um sector de retalho muito moderno com muitos investidores estrangeiros.” O director de economia global da Deloitte Research afirmou ainda que este país «também registou diversas pessoas pobres a ascenderem à classe média, a tal ponto que, pela primeira vez na história do Brasil, metade da população pode ser considerada de classe média, e são essas as pessoas susceptíveis de apoiar um sector de retalho crescente». Rússia «A Rússia também se apresenta muito atractiva aparentemente e está a crescer rapidamente por causa dos preços crescentes da energia. E, ao contrário da indústria de energia, quando se trata de retalhistas e produtos de consumo, o governo tem deixado os investidores estrangeiros à vontade», explicou Kalish. «Os investidores estrangeiros vieram e prosperaram enquanto os gastos do consumidor têm aumentado rapidamente. Mas existe alguma incerteza sobre a Rússia. Existe muita corrupção e [os russos] são fortemente dependentes das exportações de uma matéria-prima volátil [petróleo], cujo preço poderá cair no futuro». Índia «Existe a possibilidade da economia indiana crescer mais rapidamente do que a da China na próxima década, devido à demografia favorável que possui. Houve também uma grande quantidade de investimento estrangeiro no país e uma maior confiança na política económica da Índia», defendeu o especialista. «Além disso, o país está a prever um maior crescimento nas exportações e nos bens manufacturados. À medida que a China evolui na cadeia de valor e elimina alguns dos empregos de baixo salário, parte dessa capacidade irá, em última instância, deslocar-se para a Índia, a qual poderá tornar-se na força laboral do mundo, como a China foi na década passada», prosseguiu «Vimos os grandes conglomerados indianos a investir muito do seu fluxo de dinheiro adicional no sector do retalho, para desenvolver um sector de retalho moderno. Neste ponto, o retalho moderno corresponde a apenas cerca de 15% das vendas de retalho na Índia – mas está acima dos cerca de 3% registados há uma década atrás», acrescentou ainda Kalish sobre a Índia China «Com mais de 3 mil milhões de pessoas, a China é a segunda maior economia do mundo e, provavelmente, o segundo maior mercado consumidor do mundo», referiu. «A China precisa fazer a transição para uma economia mais orientada para o consumidor. Durante os últimos três anos da crise económica, a economia chinesa abrandou. Mas mesmo quando desacelerou, as vendas no retalho quase não foram afectadas. Estão a registar um crescimento real no retalho de 11% e nós adoraríamos ver isso nos EUA ou no Reino Unido», concluiu.