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Retalho em altos voos

Apesar da recente desaceleração na indústria do luxo, os negócios de gama alta no retalho de viagem acentuaram as perspetivas de crescimento de longo prazo para um sector impulsionado por consumidores mais abastados de mercados emergentes e pela tendência para as compras de conveniência. «Há uma transição do retalho de destino para as compras em viagem (…): trabalho, férias, viagem de negócios. Trata-se de encaixar isso no nosso estilo de vida agitado», afirma Ben Perkins, especialista do consumidor na Deloitte. O sector está a beneficiar de um crescimento anual de 10% e deverá quase duplicar até 2020, a partir dos 73,6 mil milhões de dólares registados em 2013, segundo a firma de dados de viagens Generation Research. Embora os aeroportos tenham conseguido preservar as marcas de luxo, as marcas de gama intermédia, como a cadeia de moda espanhola Desigual e os grandes armazéns britânicos John Lewis, estão agora a apoderar-se de localizações privilegiadas para aumentar a sua visibilidade entre os viajantes. «Esteja nas viagens, se quiser ser uma marca global», sustenta Manel Jadraque, diretor executivo da Desigual, uma estratégia que tem ajudado as roupas coloridas da marca espanhola a ganhar uma maior presença, com a abertura de lojas nos principais aeroportos, hotéis, estâncias, portos e estações de comboio. «Quase 50% das pessoas pretendem comprar enquanto esperam para entrar num avião ou num comboio. Essas pessoas são internacionais, estão cativas, têm duas ou três horas para passar o tempo», aponta Laurence Anne Parent, da consultoria Advancy. Até mesmo os supermercados estão a entrar neste segmento, abrindo lojas de conveniência e locais de recolha em estações à medida que os clientes trocam as compras semanais em lojas fora da cidade por compras mais pequenas e mais frequentes. Tesco, Amazon e outros estão a experimentar a utilização de cacifros e furgonetas em 42 estações de metro de Londres para a recolha dos pedidos feitos online. A cadeia de supermercados Waitrose, que pertence à John Lewis, também oferece o serviço no aeroporto de Gatwick para os turistas que não querem regressar a casa e encontrar o frigorífico vazio. Apesar da queda na procura por parte dos viajantes chineses e russos, da volatilidade da moeda e de uma economia europeia debilitada, que levaram à pior queda do sector do luxo em cinco anos, o retalho de viagem continua a prosperar. Grande parte do crescimento está a originar na Ásia, onde mais de 350 novos aeroportos estão previstos ser construídos nos próximos oito anos, enquanto se espera que o número de turistas chineses duplique até 2020, a partir dos atuais 100 milhões, segundo prevê a CLSA. Os chineses e os russos são os maiores gastadores do mundo no exterior, de acordo com a Global Blue, mas outros países estão também a apanhar o “bichinho” das compras em viagem, com um forte crescimento da Tailândia, países do Golfo e Nigéria. Os viajantes não procuram apenas bolsas de gama alta e cosméticos, mas também livros, comida e guloseimas, beneficiando entre outros a retalhista britânica WH Smith, que está a expandir-se rapidamente nos aeroportos do Médio Oriente e da Ásia. A WH Smith refere que mais de 240 milhões de viajantes globais estão expostos à sua marca anualmente nos aeroportos, ajudando a compensar a queda das vendas no mercado doméstico. Louis de Bourgoing, diretor internacional da WH Smith, salienta que embora as taxas de aluguer nos aeroportos sejam elevadas, mais de 40% das vendas, as margens são melhores.