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Retalho em dificuldades

Com as lojas fechadas e os consumidores em casa, as vendas de vestuário¬ caíram de forma generalizada, com grande incidência nos principais mercados de exportação do “made in Portugal”.

Espanha

Em março, o foco da pandemia voltou-se para a Europa, com os números no final de abril a darem conta de mais de 1,4 milhões de casos confirmados e mais de 126 mil óbitos no Velho Continente. Com medidas de contenção do surto a implicarem o encerramento do comércio e o confinamento obrigatório em diversos países europeus, as vendas de artigos de moda caíram acentuadamente.

Espanha

Com mais de 61 mil pontos de venda e o encerramento decretado desde meados de março, as vendas de vestuário e acessórios diminuíram 89,5% em abril, de acordo com os dados provisórios da Asociación Empresarial del Comercio Textil, Complementos y Piel (Acotex). O canal online apenas conseguiu salvaguardar pouco mais de 10% das vendas. Desde o início do ano até abril, a queda ascende a 36,6% em comparação com igual período do ano passado. «Os cidadãos não estão com vontade de comprar roupa que não vão poder vestir», aponta a Acotex.

Um estudo do Boston Consulting Group estima que as vendas de têxteis e artigos de luxo em Espanha baixem entre 34% e 39% em 2020, em comparação com 2019. O impacto, no pior cenário, pode implicar uma perda de 6,5 mil milhões de euros em receitas. O golpe poderá ser semelhante ao sentido na última crise económica, do pico de vendas em 2006, de 22,5 mil milhões de euros, para 2013, em que caíram para 15,9 mil milhões de euros, o último ano com uma descida de valor, de acordo com a Acotex.

O Boston Consulting Group refere que o canal online diminuiu mais de 50% face a 2019, o que, juntamente com o fecho de 100% das lojas, mostra descidas entre os 75% e os 95% na faturação das empresas espanholas do sector.

O retalho físico começou a abrir com restrições na primeira semana de maio.

França

Os primeiros dados da atividade do sector de vestuário para março revelam uma queda de quase 60% em comparação com o mesmo mês de 2019, segundo o Institut Français de la Moda (IFM), com as vendas a serem afetadas pelas medidas de isolamento impostas pelo Governo de Emmanuel Macron a 17 de março.

França

A queda para o primeiro trimestre do ano é mais comedida, com o IFM a dar conta de uma descida de 17,9% face ao mesmo período do ano passado.

Para o resto de 2020, o IFM traça três cenários. A hipótese mais otimista antecipa uma queda de 17% para o ano e implica que as vendas no segundo semestre retomem completamente o nível dos últimos seis meses de 2019. Tal seria, contudo, uma retoma muito rápida, com a condição de que o comércio começasse a abrir a 11 de maio – o que se confirmou, com exceção dos centros comerciais com mais de 40 mil metros quadrados.

O segundo cenário, considerado o «mais provável», de acordo com o IFM, vaticina «um regresso ao consumo mais progressivo», que prevê uma queda de cerca de 5% das vendas no segundo semestre em comparação com o período homólogo do ano passado, colocando a queda do ano completo em 20%.

A versão mais pessimista implica uma queda de 25% nas vendas anuais de moda em França. «Este é um cenário de verdadeira rutura na tendência de mercado», sublinha o IFM.

Gildas Minvielle, diretor do observatório económico do IFM, destaca, contudo, que os números apresentados são os valores médios e que haverá certamente «grandes disparidades consoante as empresas. As situações dos atores são muito diferentes e vemos que essas diferenças são ainda mais vincadas em período de crise».

Itália

Os dados da confederação italiana Confcommercio estima uma redução do consumo de 10,4% no primeiro trimestre de 2020 face ao período homólogo do ano transato.

Em março, as vendas no retalho desceram 18,4% face a março de 2019, de acordo com o Istituto Nazionale di Statistica, mas as vendas de artigos de moda no retalho sofreram uma baixa de 54,2%, tendo sido mesmo a categoria mais afetada.

Itália

A 14 de abril começaram a abrir as primeiras lojas em Itália, incluindo boutiques, tendo o Primeiro-Ministro do país, Giuseppe Conte, antecipado a abertura de todos os negócios de retalho para 18 de maio.

Entre as medidas de apoio ao sector está o início da época de saldos, para todas as regiões, apenas para 1 de agosto, uma ideia que foi bem recebida pelo sector. «Esperamos reabrir o mais cedo possível e que todas as regiões adotem as medidas de acordo com a decisão da Conferenza o mais cedo possível», assegurou Renato Borghi, presidente da Federazione Moda Italia-Confcommercio.

Reino Unido

As vendas a retalho do Reino Unido diminuíram para um novo recorde em março, com o volume de vendas nas lojas de calçado e vestuário a registarem uma queda de 34,8% em relação ao mês anterior. Os dados são os primeiros emitidos pelo Office for National Statistics desde o bloqueio do Reino Unido, que começou a 23 de março com o encerramento temporário de muitas lojas consideradas não essenciais, para tentar combater a disseminação do novo coronavírus.

As vendas online também foram afetadas. De acordo com o Online Retail Index da IMRG Capgemini, que acompanha a performance online de mais de 200 retalhistas, as vendas digitais de vestuário evidenciaram uma queda de 23,1%, especialmente no segmento masculino, com uma baixa de 42,9%, e no calçado, com um declínio de 32,8%.

Uma análise da GlobalData mostra que a indústria da moda, incluindo vestuário e calçado, será a mais afetada no Reino Unido. «Prevê-se que os gastos em vestuário e calçado desçam 11,1 mil milhões de libras [cerca de 12,6 mil milhões de euros] em 2020, o que representa uma queda de um quinto do valor de mercado, que é equiparável às vendas combinadas de três líderes de mercado: Primark, Marks & Spencer e Next», apontou Patrick O’Brien, diretor de análise de retalho da GlobalData no Reino Unido.

Reino Unido

«O vestuário e o calçado vão ser os sectores de retalho mais atingidos em 2020 pela pandemia devido ao cariz não essencial e à necessidade inexistente de comprar roupas novas, visto que o público evita interações sociais e muitos estão em isolamento. Isto vai fazer com que a primavera-verão seja um fracasso para os atores da indústria de vestuário», afirmou, acrescentando que muitos retalhistas vão ser forçados a cancelar, como fez a Primark, a adiar ou a reestruturar encomendas para evitar perdas de stock significativas em junho e julho. «Esperamos que muitos retalhistas de moda entrem em falência como resultado de um sector que está já vulnerável», admitiu. Os grandes armazéns Debenhams já submeteram um pedido de insolvência em abril.