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Retalho em mutação

O segmento de jovens consumidores dominado pela geração do milénio despende uma quantia mensal progressivamente superior em artigos de vestuário, promovendo e dinamizando a transformação deste sector do retalho americano.

De acordo com o estudo do Cotton Incorporated Lifestyle Monitor, a geração milénio, com idades compreendidas entre os 15 e os 34 anos, supera o segmento dos Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, na aquisição de artigos de vestuário, somando uma despesa mensal de 76 dólares, em contraste com os 47 dólares despendidos pela geração de consumidores mais maduros. Porém, ambos os segmentos são superados pelos consumidores da Geração X, nascidos entre 1960 e 1980, que despendem, mensalmente, 83 dólares em artigos de vestuário.

O investimento realizado por lojas e proprietários de centros comerciais no sentido de compreenderem e apelarem aos clientes é notório – especialmente entre a geração milénio –, com o segmento mais jovem a mostrar-se significativamente mais propenso a converter a experiência de compra de vestuário numa atividade social divertida, face às gerações mais maduras (70% contra 50%).

Segundo dados da Kantar Retail, a geração milénio prefere espaços comerciais não sediados em grandes armazéns, privilegiando os espaços de desconto (34% face a 41%) e o segmento on-line (23% face a 34%), em comparação com os resultados obtidos há cinco anos.

Mary Brett Whitfield, vice-presidente da Kantar, afirmou, todavia, que os centros comerciais de nível superior não têm ainda dificuldade em atrair compradores. «Estes centros oferecem tendencialmente uma combinação de entretenimento, restaurantes e opções de compra que proporciona uma experiência convincente, algo mais envolvente do que a facilidade de compras online», explicou Whitfield.

Os grandes armazéns procuram atrair a geração mais jovem com linhas de vestuário focadas neste segmento – fast-fashion e coleções assinadas por celebridades –, que se revelam particularmente atrativas para estes consumidores, que são hoje significativamente mais propensos a efetuar compras em grandes armazéns (48%) do que há cinco anos atrás (42%), revelou a pesquisa.

No entanto, o segmento online foi o único capaz de aumentar a sua base de clientes ao longo da última década, refere Whitfield, com os centros comerciais regionais a sofrerem quedas acentuadas. Whitfield acrescenta ainda que, num momento em que os clientes procuram ativamente racionalizar e simplificar as suas rotinas de compras, os centros comerciais de nível secundário e terciário são cada vez mais contestados.

O porta-voz do Conselho Internacional de Centros Comerciais, Jesse Tron, afirmou que existem ainda algumas marcas de grandes armazéns poderosas que intervêm junto de diferentes consumidores. No entanto, o conceito de uma loja âncora sediada num centro comercial irá transformar-se nos próximos anos, em consequência da modalidade de compras dos consumidores.

«Quando o conceito de centro comercial foi concebido, não dispúnhamos de internet», explica Jesse Tron. «A commodity conhecida era um grande armazém. Era a maior loja e dirigíamo-nos ao centro comercial para a vermos – e, em seguida, descobríamos os outros inquilinos. Atualmente, podemos aceder online e ver todas as outras lojas desse centro. Existe ainda o aspeto da descoberta – as pessoas vêm e não conhecem todas as lojas. Mas procuram frequentemente uma marca específica, que pode ser um restaurante ou entretenimento. Pelo que essa loja ou espaço é o que os atraiu naquele dia», conclui.