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Retalho em mutação

Desde janeiro que as metamorfoses do retalho têm vindo a ser catalogadas no Portugal Têxtil. Os leitores puderam conhecer o estado da arte em matérias como as lojas sem mercadoria e as lojas/apartamento, bem como a escalada Amazon e os pilares firmes da Zara ou a relação das novas gerações com o retalho tradicional.

Nos últimos 12 meses, o Portugal Têxtil deu um destaque muito particular ao hibridismo do omnicanal (ver Retalho tropeça no omnicanal), ao retalho feito de experiências (ver O boom das experiências) e à protagonista do enredo digital, a Amazon, apresentada como a grande vencedora do retalho online (ver Amazon: Inovação de A a Z).

Ainda no campo digital, na Farfetch, a entrada em bolsa, o multicanal, o financiamento das operações e o aumento da fidelização dos clientes são os desafios que precisam de ser ultrapassados pela equipa de José Neves (ver Os próximos passos da Farfetch). A startup unicórnio apostou ainda em sinergias de sucesso, posicionando-se como peso-pesado do retalho de luxo ao lado da nova aposta do conglomerado LVMH – que apresentou em 2017 a plataforma 24 Sèvres.

As novas gerações de consumidores continuaram a merecer a atenção das consultoras e analistas internacionais, quer se tenha tratado dos criteriosos millennials (ver Millennials anunciam novo luxo), que roubaram grande parte das atenções, ou da conectada geração Z (ver As marcas da geração Z), cada vez mais pertinente. Os consumidores – mesmo os das camadas mais jovens (ver Consumidores preferem lojas) – continuam a preferir as lojas, nem que seja para ver e tocar os produtos, mesmo comprando-os depois online (ver Ver na loja, comprar online). Por outro lado, exigem lojas cada vez mais pautadas pela tecnologia (ver Consumidores querem lojas tecnológicas, já!).

Nas macrotendências, o foco continuou a ser colocado no athleisure, sobretudo nas suas desambiguações (Athleisure treina fora do guarda-roupa).  Depois de ter dado elasticidade e conforto a todas as peças do guarda-roupa, a macrotendência chegou à cosmética e aos acessórios. Do boom das mochilas à maquilhagem à prova de ginásio, o athleisure deixou de se esgotar nas leggings.

Também em 2017, a expressão “Apocalipse do retalho” entrou oficialmente no léxico dos empresários, tendo inclusivamente uma explanação na Wikipédia. Apesar de muitas lojas terem fechado portas – cerca de 6.700 –, aproximadamente 3.000 foram inauguradas. A morte anunciada foi, apenas, o começo de uma nova vida.

A Nordstrom, por exemplo, abriu uma loja este ano que não tem inventário (ver Lojas sem roupa?), mas está preparada para oferecer diferentes tipos de experiências – de degustações de vinhos a manicura. Retalhistas como a J.Crew e a Topshop começaram também a enfatizar os seus serviços de personal styling em loja, com os clientes a agendarem marcações com stylists e não com os tradicionais vendedores (ver Retalho de olhos em 2018).

Também ao longo do corrente ano, retalhistas como a Moda Operandi, Sézane e Uterqüe abraçaram o novo conceito de loja que tem vindo a transformar os espaços de retalho em verdadeiras casas/apartamentos, decorados como se de um acolhedor lar se tratasse (ver Morar no retalho).

Por outro lado, nenhuma estação foi capaz de abalar o modelo de negócios da abelha-mestra do retalho, a Zara (ver Espanhóis coroam Zara). Entretanto, a arquirrival H&M continuou à procura de fechar o ciclo em prol de uma moda rápida mais sustentável, tendo apresentado em 2017 a sua nova marca, Arket (ver Nova marca da H&M aposta na transparência). A C&A (ver C&A abraça moda circular e Portugal) e a Primark (ver A corrida ecológica da Primark) seguiram também pela via verde neste ano.

Na reinvenção do retalho, o destaque foi para a nova imagem das lojas russas.

Com a economia russa a dar sinais de recuperação, começou também a vir à superfície uma nova estética de retalho, com as marcas locais a desenvolverem estratégias inovadoras para conquistar um novo tipo de cliente (ver A reinvenção do retalho russo).

O panorama nacional, por sua vez, contrariou as tendências internacionais com a abertura de lojas, sobretudo de moda de autor.

A marca de vestuário infantil Cherrypapaya inaugurou um ponto de venda no Porto, tal como os designers como Luís Buchinho e Luís Onofre. A Sul, Patrick de Pádua, um dos talentos emergentes da plataforma Lab da ModaLisboa, abriu as portas do seu primeiro espaço comercial.

Com uma rede de 11 lojas, a Dielmar iniciou em 2017 a renovação do seu conceito de retalho, uma operação que começou em março, na flagship store do Amoreiras.