Alguns membros das forças nacionais americanas e canadianas tinham já contestado a credibilidade da ameaça feita através de um vídeo atribuído ao grupo Al Shabaab, no qual os seus membros apelaram ao ataque de espaços comerciais do ocidente, mencionando especificamente o Mall of America, o West Edmonton Mall no Canadá, a Oxford Street londrina e outros espaços parisienses.

O Mall of America, localizado em Minneapolis, recebe anualmente 40 milhões de visitantes e contribui com 2 mil milhões de dólares para a atividade económica do estado do Minnesota, segundo informação do seu website. Por sua vez, o shopping canadiano recebe 30,8 milhões de visitantes todos os anos, de acordo com informação disponibilizada na sua página online.

Em solo britânico, Oxford Street é uma das artérias mais movimentadas da cidade de Londres e aí encontram-se sediadas vários grandes armazéns. Este grupo foi responsável pelo ataque de 2013 ao shopping Westgate na cidade de Nairobi, Quénia, que provocou a morte de 67 pessoas, ressuscitando assim o receio pela segurança em espaços comerciais. Entrevistado pela CNN sobre as ameaças feitas ao Mall of America, o Secretário para a Segurança Nacional, Jeh Johnson, afirmou que «sempre que uma organização terrorista apela a um ataque a um espaço concreto, temos de a considerar seriamente».

Horas mais tarde, a porta-voz do Departamento, Marsha Catron, admitiu que, em colaboração com o FBI, ambas as entidades tinham partilhado informação sobre o vídeo com as forças da autoridade locais e «parceiros privados». «De uma forma geral, não temos conhecimento de nenhum plano específico e credível contra o Mall of America ou outro centro comercial», afirmou no seu comunicado. Um oficial da CIA admitiu o receio das forças de segurança face a possíveis ataques perpetrados por atores independentes, mas o grupo Al Shabaab não parece reunir seguidores entre a comunidade somali no ocidente, incluindo na cidade de Minneapolis.

Porém, o estado do Minnesota alberga uma comunidade significativa de descendentes somalis e as forças de segurança norte-americanas têm-se mostrado preocupadas relativamente a uma possível radicalização dessa comunidade. Procuradores afirmam que vários indivíduos da área de Minneapolis, entre eles membros da comunidade somali, saíram do país para apoiar grupos militantes como o Estado Islâmico ou o Al Shabaab desde 2007.

Brent Meyer, oficial da Polícia Montada do Canadá, revela que «não há sinal de qualquer ameaça específica ou iminente aos canadianos». No Reino Unido, um porta-voz adiantou que a polícia londrina estava consciente da ameaça e que se encontra a investigar». Ambos os centros comerciais americano e canadiano imitiram comunicados nos quais admitem um reforço das medidas de segurança. «O último comunicado do grupo Al Shabaab reflete uma nova fase de evolução da ameaça terrorista global, em que grupos como o Al Shabaat e o ISIS apelam publicamente ao ataque perpetrado por indivíduos independentes nos seus países de origem», acrescentou Johnson.