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Retalho enfrenta novos desafios em 2020

O início da nova década traz oportunidades e obstáculos para a indústria de retalho. A sustentabilidade e o multicanal, a entrada de novos players, a necessidade de se manter relevante e de se diferenciar são alguns dos desafios a que os retalhistas terão de responder em 2020 e no futuro.

Temas como o comércio eletrónico, a saturação e modelos de negócio diretos ao consumidor estão a começar a ser cada vez mais fulcrais para o retalho no novo ano. Durante a próxima década, Maureen Hinton, diretora de pesquisa de retalho da GlobalData, espera ver «novas grandes marcas de retalho a substituir as marcas mais evoluídas». Ou seja, se os retalhistas não se prontificarem a inovar e a atenderem a estas problemáticas, correm o risco de passar despercebidos.

A GlobalData identificou cinco desafios para os retalhistas em 2020 entre os quais estão a sustentabilidade, o retalho multicanal, conseguir ter uma presença relevante, cumprir novos conceitos e trabalhar ainda mais para estar ao nível da omnisciência que a internet trouxe ao mundo da moda.

Sustentabilidade

À medida que a consciencialização dos consumidores relativamente à pegada ecológica da moda aumenta, a procura por produtos ambientalmente responsáveis é cada vez mais recorrente. Consequentemente, os retalhistas têm de ser mais criativos na forma de responder a estas necessidades, mesmo que isso implique recorrer à oferta de serviços de aluguer de vestuário, oportunidades de reciclagem e, sobretudo, adoção de um processo de produção mais sustentável.

Vários players da indústria do denim estão a reinventar-se neste sentido e tomam a iniciativa “Jean Redesign” da Ellen MacArthur Foundation como exemplo. Empresas como a Guess, Blue of a Kind, Cone Denim e muitas outras estão a repensar as estratégias para aplicar as diretrizes da fundação, nomeadamente no que diz respeito a durabilidade, reciclabilidade, rastreabilidade e a natureza do material.

Retalho multicanal

O comércio eletrónico não é a cura para compensar a evolução lenta das vendas dos espaços físicos. Para conseguirem prosperar na próxima década, os retalhistas vão ter de se reforçar tanto nos canais online como no offline.

«Estes retalhistas precisam de encontrar um equilíbrio entre os elementos físicos e digitais para manterem um negócio lucrativo e um crescimento sustentável, o que é extremamente difícil num sector onde o crescimento é limitado», afirma a GlobalData.

Recentemente, a Nudie Jeans e a Mud Jeans comprometeram-se com novas estratégias para sincronizar o negócio online com o offline. A Nudie colaborou com a plataforma de comércio eletrónico Centra em 2019 para impulsionar as vendas de retalho online, que contribuem para 72% das suas receitas. Já a Mud Jeans abriu um showroom nos Países Baixos que dá a possibilidade aos consumidores de experimentarem e encomendarem os seus jeans sustentáveis.

Manter a relevância

Um grande arquivo de design não é suficiente para assegurar a relevância em 2020. Com mais formas de descobrir e adquirir moda na internet e nas redes sociais, os retalhistas devem estar constantemente à procura de oportunidades para se conectarem com os consumidores. «Marcas de moda como a Abercrombie & Fitch e a Jack Wills estão condenadas, a não ser que se consigam adaptar às novas tendências de consumo», refere a GlobalData, acrescentando que «as marcas com legados de longa duração ou se adaptam ou vão enfrentar uma morte inevitável».

Marcas tradicionais como a Levi’s, Wrangler e a Lee estão a afirmar o vínculo com os millennials ao atualizarem as suas peças icónicas com uma produção sustentável, alterando os modelos à imagem dos consumidores modernos e fazendo parcerias com marcas e retalhistas que seguem a tendência das colaborações exclusivas.

Novos disruptores

A juntar ao facto do comércio eletrónico e das redes sociais terem remodelado a visão de compra do consumidor, a última década viu nomes como Everlane, The Reformation e Re/Done a criarem novas discussões sobre tópicos como preço, transparência e sustentabilidade. Estes disruptores estão a obrigae a indústria de retalho a ser ágil.

«A tecnologia está em constante mudança e a criar oportunidades imprevisíveis para novos negócios», destaca a GlobalData. «Se um retalhista não está a criar estas oportunidades, deve estar constantemente atento às mudanças de cenário no retalho para que se possa defender e explorar ameaças competitivas».

Trabalho árduo

Na década de 2020, os retalhistas vão ter de trabalhar mais para se conseguirem destacar. A internet é um centro comercial disponível 24 horas, o que significa que os consumidores têm acesso a uma grande variedade de marcas, produtos e preços. «O resultado é que o crescimento no consumo no retalho está a contrair e a espalhar-se por uma gama mais abrangente de fornecedores».