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Retalho espanhol quer reabrir portas em junho

Em Espanha, as grandes retalhistas de têxteis e vestuário começam a planear o regresso à atividade. A ideia é que seja um processo gradual e com fortes medidas de segurança.

Apesar de ainda ser cedo para se falar do levantamento das medidas de restrição em Portugal, na vizinha Espanha, as grandes retalhistas ligadas à indústria têxtil e vestuário começam a delinear o regresso à atividade.

Para já, o horizonte para reabrir as lojas parece ser junho, segundo avança o jornal espanhol Cinco Días. O plano que começa a ser delineado aponta para uma reabertura gradual e com novas medidas de segurança.

O comércio têxtil do país tem mais de 15 mil pontos de venda fechados e dezenas de milhares de trabalhadores com os contratos suspensos, através do programa de ajuda estatal espanhol.

Os operadores estão a trabalhar em diferentes cenários para poder começar a abrir alguns dos seus estabelecimentos. Cenários mais otimistas apontam para maio, mas os mais realistas parecem ser os que apontam para junho.

No clima de incerteza provocado pela pandemia Covid-19, a única certeza é que o regresso à normalidade não será como dantes: as lojas devem reabrir aos poucos, nos territórios onde a crise do coronavírus já esteja superada e com medidas reforçadas para garantir a segurança dos estabelecimentos.

Na questão da segurança, tudo indica que o cenário será semelhante ao que acontece hoje nos supermercados, com reforço de higiene e com os funcionários reforçados com equipamentos de proteção individual.

Em Espanha, país que foi muito afetado pelo novo coronavírus, as empresas temem sobretudo uma abertura precipitada, pelo que todos os cuidados são poucos.

A Asociación Nacional del Comercio Textil, Complementos y Piel (Acotex), que também trabalha com o cenário de junho, defende que as ajudas governamentais se mantenham quando a atividade recomece.

«Teremos que incentivar o consumo, mas é importante que as ajudas se mantenham. O que não se vai vender nestas semanas que estamos fechados não se recupera com a abertura, pelo que o consumo se vai ressentir», avisa a associação.

Vendas em baixa

A crise provocada pela pandemia já implicou um corte nas vendas do sector.  Segundo os dados publicados pela Acotex, a queda pode ter atingido, em março, os 70%, a pior percentagem desde que a associação recolhe os dados do sector. No acumulado anual, a descida atinge os 24% quando comparado com 2019.

Na base desta quebra está o facto das lojas permanecerem fechadas desde 14 de março e as vendas online, que são meramente residuais, não serem suficientes para compensar as perdas.

A Acotex diz mesmo que o «sector precisa de liquidez e não de mais endividamento».

Eduardo Zamácola, presidente da associação, alerta para o facto de, quando as lojas reabrirem, ser necessário escoar o stock acumulado, a que se segue o período de saldos, pelo que os retalhistas terão uma redução nas margens e na rentabilidade.

O fecho de lojas afetou retalhistas como a Mango, H&M, Primark, Adolfo Dominguez, Bimba y Lola, Desigual e Zara, entre outras.