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Retalho fiel à tradição

Contrariamente às previsões de alguns analistas, as lojas físicas continuarão a ser o canal privilegiado de receitas dos retalhistas omnicanal norte-americanos, assumindo-se decisivas para o branding até 2020, de acordo com o relatório Retail Real Estate Beat, conduzido pela FTI Consulting.

Ainda que a maioria dos inquiridos do relatório espere que a participação do comércio eletrónico nas receitas cresça aproximadamente 50% nos próximos três anos, de 16% para 24%, antecipa também que as lojas físicas serão responsáveis por 76% das receitas durante este período de tempo.

A pesquisa, levada a cabo no segundo trimestre de 2017, explorou as perceções dos proprietários de centros comerciais e respetivos retalhistas inquilinos sobre o papel das lojas físicas no panorama do retalho nos próximos três anos, assim como as principais preocupações para o período.

Os retalhistas mostram-se significativamente mais preocupados do que os proprietários com o impacto dos preços e as pressões promocionais: 63% dos retalhistas apontam isso como a tendência de negócios/tecnologia que terá maior impacto ao longo dos próximos três anos, em comparação com apenas 17% dos proprietários.

Em oposição, o maior receio de 80% dos proprietários é o crescente afastamento dos consumidores das lojas físicas – para os retalhistas, esta questão fica em segundo lugar, com 54%.

Os retalhistas preveem que o crescimento do comércio móvel (sobretudo smartphones) venha a superar o comércio eletrónico via computador, embora o computador continue a ser o canal de compras digitais de eleição até 2020. Os inquiridos acreditam que o rácio computador-móvel atual de 10% e 6% irá aproximar-se dos 13% e 11% até 2020.

Para responder às novas exigências dos consumidores, os retalhistas planeiam também encetar mudanças “significativas” ou “transformadoras” na gestão de stocks (74%), atualizações em loja (69%), políticas de devolução (67%), opções de envio (64%) e colaboradores (53%).

Mais de três quartos (76%) dos retalhistas “concordam” ou “concordam fortemente” que os pontos de venda físicos são, atualmente, críticos para a identidade das marcas. Por outro lado, 73% dos retalhistas “concordam” ou “concordam fortemente” que os seus clientes exigem uma experiência mais personalizada em loja.

Aproximadamente 93% dos proprietários referem que novas lojas físicas serão críticas para o crescimento da receita dos retalhistas, em comparação com uma maioria menos significativa (61%) dos retalhistas.

A conclusão mais importante do relatório, contudo, talvez seja a perceção, quer para os proprietários, quer para os inquilinos, «da necessidade de uma melhor compreensão das vontades de cada um e de como a natureza evolutiva do retalho afetará os dois lados da equação», afirmou Cynthia Nelson, diretora-geral da FTI Consulting.

«Os proprietários dos shoppings e os seus inquilinos de retalho podem concentrar-se em estratégias concertadas para competir de forma mais efetiva com a ameaça existencial colocada por retalhistas como a Amazon e o Walmart e prosperar nos próximos anos», explicou a diretora-geral da FTI Consulting.