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Retalho físico conjuga tempos futuros

A onda de falências que tem assolado o retalho, o encerramento de lojas e as liquidações não significam que os consumidores estejam a trocar as paredes pelos cliques. Refletem apenas uma fase de transição que é resultado de um ambiente de retalho sobrelotado e da preferência manifestada por experiências.

Apesar de toda a discussão sobre o primado do comércio eletrónico e a subsequente extinção do retalho tradicional, são os negócios exclusivamente online quem enfrentam maiores dificuldades, numa altura em que os retalhistas multicanal como a Amazon e o Wal-Mart vão fazendo aquisições no ciberespaço, noticia a Forbes.

Cadeias de retalho tradicional no top 10 americano

Excetuando a Amazon, os 10 maiores retalhistas dos EUA são cadeias estabelecidas, de modelo tradicional, de acordo com a lista “Top 100 Retailers” da revista Stores, publicação da National Retail Federation.

Por ordem de classificação, o rol inclui Wal-Mart, Kroger, Costco, Home Depot, CVS, Walgreens, Amazon.com, Target, Lowe’s e Albertson’s.

Entre os 10 maiores, todos, exceto a Target, apresentam crescimento de vendas em 2017. Vale ainda a pena sublinhar que o Wal-Mart, há 55 anos no mercado, é o maior retalhista do país e cresceu 8% no ano passado.

Espaços reais são mais rentáveis do que os virtuais

Ainda que a maioria dos 10 melhores retalhistas se tenha entretanto munido de armas de comércio eletrónico, as lojas continuam a ser o seu ganha-pão.

A compra numa loja é mais rentável do que uma encomenda de comércio eletrónico, com fatores como as despesas de embalamento e expedição e os custos associados ao aumento das devoluções a pressionarem as margens.

A este propósito, a Alix Partners rastreou cinco anos de desempenho financeiro de 20 retalhistas. Para o grupo, as vendas online cresceram de 10,5% das vendas totais em 2012 para representarem 15,5% em 2016 –, mas as margens diminuíram constantemente, segundo a consultora de retalho.

Millennials e geração Z preferem lojas físicas

Os millennials e os membros da geração Z acompanharam o boom da Amazon, Facebook e Instagram.

Todavia, ainda que muitos desses consumidores mais jovens estejam a optar por ocupar o seu tempo livre online, os dois grupos preferem lojas físicas quando se trata de, efetivamente, fazer compras – sobretudo de vestuário (ver Consumidores preferem lojas).

A maioria dos millennials (70%) privilegia as lojas físicas, de acordo com a CBRE.

Nos EUA, mais de 77% dos membros da geração Z, consumidores que nasceram depois de meados da década de 1990 até ao início dos anos 2000, avaliam as lojas físicas como o canal de compras eleito, segundo uma pesquisa da Accenture.

Estes grupos são o futuro do retalho. Os Z’s, por exemplo, agregam cerca de 44 mil milhões de dólares (aproximadamente 39 mil milhões de euros) em poder de compra e cerca de 60 milhões dos seus membros residem nos EUA, mais um milhão do que os millennials, segundo a empresa Social Explorer (ver Simplicidade conquista geração Z).

Comércio eletrónico está a ser engolido por gigantes

Os retalhistas tradicionais estão a engolir os negócios exclusivamente online. O padrão emergiu entre os websites de vendas flash, que ofereciam grandes descontos em artigos premium em quantidades limitadas durante dias de desconto que se estendiam de 24 a 36 horas.

Entretanto, a Hudson’s Bay adquiriu a Gilt Groupe, a Nordstrom tomou posse da Haute Look e a Bed Bath & Beyond comprou o website de vendas One Kings Lane.

Mais recentemente, o Wal-Mart tem vindo a somar aquisições, do retalhista online Jet.com à plataforma de vestuário vintage Modcloth, passando pelo portal de moda masculina Bonobos (ver Wal-Mart compra menswear da Bonobos).