Início Notícias Retalho

Retalho: gastos disparam no Reino Unido

Abril foi sinónimo de regresso às compras para os consumidores britânicos depois da reabertura das lojas, que tinham estado encerradas durante longos meses. Os dados oficiais revelam uma forte recuperação económica impulsionada pelos gastos no retalho.

[©Unplash]

O volume de vendas em abril no Reino Unido registou um aumento mensal de 9,2% – o dobro da previsão média apontada pela pesquisa da Reuters junto de economistas e um valor que decretou a maior subida desde junho –, depois de um crescimento de 5,1% em março. As vendas de vestuário subiram quase 70%.

«As retalhistas de moda foram as principais beneficiárias da reabertura das cervejarias e da “regra das seis” noites de folga», afirma Aled Jones, chefe de retalho do Lloyds Bank, à  Reuters.

Os dirigentes do Banco da Inglaterra estão a analisar o desempenho do retalho com expectativas de aumento nos gastos, à medida que as famílias mais ricas começam a fazer compras com as economias acumuladas durante os confinamentos inerentes ao contexto pandémico.

Segundo as previsões do banco central, a economia antecipa um aumento de 7,25% para 2021, após uma queda de quase 10% no ano passado, a maior queda em mais de 300 anos.

Ao contrário das recessões anteriores, o desemprego manteve-se em níveis baixos até à data, graças a um programa de licença governamental que beneficiou milhões de trabalhadores.

O mais longo inquérito da Grã-Bretanha sobre o sentimento do consumidor, mostrou que o ânimo está de volta ao que era antes da chegada da pandemia, em março de 2020.

O Gabinete Nacional de Estatística anunciou que as vendas no retalho em abril ficaram acima dos níveis pré-pandemia. Várias lojas, contudo, sofreram severamente com os repetidos confinamentos, que aceleram a mudança para o comércio online.

[©Unplash]
Os grandes armazéns Debenhams, recentemente adquiridos pela retalhista online Boohoo, fechou a sua última loja este mês, depois de mais de 240 anos no ativo. Retalhistas consideradas como não essenciais não puderam abrir portas aos consumidores até 12 de abril, depois de terem sido forçadas a encerrar no início de janeiro.

A quota dos gastos no retalho online diminuiu de 34,7% em março para 30% em abril, o menor valor desde dezembro. O mesmo aconteceu com os gastos de supermercado, que também desceram ligeiramente, tendo em conta a reabertura dos restaurantes.

Os volumes de venda no mês passado foram 42,4% superiores a abril de 2020, destaca o Gabinete Nacional de Estatística. Já a consultora Capital Economics considera que o crescimento das vendas deverá estabilizar agora que os gastos ficaram acima dos níveis anteriores à crise.

«A recuperação económica vai continuar, mas será impulsionada por um aumento dos gastos em pubs, restaurantes e cinemas e não em lojas», indica Paul Dales, economista-chefe da Capital Economics para o Reino Unido.