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Retalho joga na antecipação

A pandemia veio alterar o comportamento dos consumidores e mesmo nas quadras tradicionais não se esperam exceções, razão pela qual alguns retalhistas e transportadoras estão já a avançar o calendário das compras.

[©WSIU]

A Target, a Best Buy e a Kohl’s mudaram as promoções de inverno para o início de outubro. À semelhança do que anunciou a Walmart, as retalhistas vão fechar portas no feriado nacional do Dia de Ação de Graças e planeiam contornar as vendas da Black Friday, que tradicionalmente marcam o início do período de férias, mas que, dada a situação atual de pandemia, se tornaram incompatíveis.

«A época de férias que será como nenhuma outra» de acordo com Michelle Gass, presidente executiva da Kohl’s, vai dar prioridade aos artigos que se destacaram durante as vendas realizadas perante a nova realidade, como é o caso do vestuário confortável, dos essenciais para o lar e todas as outras categorias procuradas pelos consumidores que optam por passar a maior parte do tempo em casa.

Já a Target, segundo o CEO Brian Cornell, vai reforçar os serviços de entrega no mesmo dia e também a oferta de artigos disponíveis para esta finalidade, incluindo mais presentes, o que atribui a responsabilidade a empresas de transportes específicas como a Shipt, Doordash e Postmates.

[©Market Watch]
Um fornecedor de uma grande retalhista confessou à Reuters estar à espera de uma queda de 30% nos gastos estimados para o feriado, ainda que a National Retail Federation (NRF) não tenha revelado qualquer previsão. «Vai ser interessante ver se as lojas ainda estão abertas na Black Friday ou se têm vendas», afirma Randy Hare, gestor de carteiras do Huntington Private Bank.

Algumas empresas de logística estão a pedir aos clientes de retalho para anteciparem as promoções, dividindo-as semanalmente por produtos, de modo a minimizar a pressão. «Não pode ser um bombardeamento de cada produto que temos online. Vamos selecionar e eleger», explica Scott Sureddin, CEO da cadeia de aprovisionamento da DHL na América do Norte.

Taxas altas

De acordo com pesquisas da eMarketer, espera-se que, para este ano, o comércio eletrónico atinja os 15% do total de vendas nos EUA e que os retalhistas procurem oportunidades onde possam reduzir custos, visto que as empresas de entregas estão a cobrar taxas elevadas.

O bloqueio dos serviços dos correios dos EUA que, segundo a Rakuten Intelligence, está a cargo de quase 40% das entregas, estão a cobrar impostos da rede de transportes dos EUA, que está a preparar-se para um grande volume de trabalho causado pelas férias e pelo feriado nacional. O volume médio diário da UPS chegou aos 24,4 milhões no segundo trimestre, quase 92% do valor registado no pico do feriado do quarto trimestre, o que fez com que a USPS anunciasse a primeira sobretaxa, juntando-se à fedEx.

«Sabemos que as compras online aumentam nos feriados e o sistema está já sob pressão para responder à procura», assgura Mark Mathews, vice-presidente da NRF. «Se tivermos uma situação que aumente mais 10% ou 20% a isso, o que poderá ser uma possibilidade, teremos verdadeiros desafios», admite.

Os retalhistas estão a lutar para manter o stock das compras nestas épocas, evitando, em simultâneo, acumular mercadoria, se os consumidores não se decidirem a efetivamente a comprar. A NRF já projetou uma queda de 9,4% para as importações totais deste ano.

[©Taste of Home]
Ao começarem as promoções cedo, em alguns casos antes mesmo do Halloween, os retalhistas correm o risco de saturar os consumidores. Contudo, os investidores e analistas afirmam que a ideia pode atrair novamente os compradores, uma vez que o número de visitantes nos centros de retalho foi de apenas um quarto dos valores do ano passado, aumentando 5% desde o início de junho, revelam dos dados da empresa analista Springboard.

A Target, Kohl’s e Walmart grantiram que a época de regresso às aulas, a segunda mais importante para os retalhistas, foi «instável, lenta e incerta», tendo em conta que os casos crescentes de Covid-19 nos EUA criaram dúvidas sobre a reabertura das escolas, o que gerou uma baixa procura de artigos como mochilas e vestuário.

No passado dia 19 de agosto, a Target, que registou o maior crescimento trimestral nas vendas comparáveis e quase triplicou as receitas online, anunciou que vai prolongar as ofertas de regresso às aulas mais tempo.