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Retalho mundial cai em 2020

As vendas no retalho vão, seguramente, baixar este ano em todo o mundo, com a única dúvida a persistir a ser o tamanho da queda. A GlobalData aponta para uma diminuição de 3% face a 2019, enquanto a Forrester é menos otimista e refere uma descida de 9,6%.

Com mais de 3 milhões de casos diagnosticados de Covid-19 em todo o mundo e inúmeros países a promoverem o confinamento para limitarem a disseminação da pandemia, o consumo mundial no retalho deverá perder, segundo a GlobalData, 549,7 mil milhões de dólares (cerca de 505 mil milhões de euros) em 2020.

A descida de 3% é agravada pelo facto de uma previsão anterior a esta crise antecipar um aumento de 5% das vendas, equivalente a 927,7 mil milhões de dólares.

«A América do Norte e a Europa deverão experienciar as quedas mais acentuadas no retalho, com as previsões de consumo a baixarem 4,8% e 4,4%, respetivamente», explica, ao just-style.com, Sofie Willmott, analista principal na GlobalData.

«E embora a Ásia-Pacífico deva assistir apenas a um declínio reduzido, de 1,3%, que parece relativamente bom em comparação com outras regiões, tínhamos previsto que o crescimento na região seria de 7,2%», sublinha.

Já a consultora Forrester prevê uma descida média das vendas a retalho de 9,6% em 2020, representando uma perda de 2,1 biliões de dólares, avançando ainda que vai demorar quatro anos a recuperar os níveis pré-pandemia.

Vestuário mais afetado

«As categorias de retalho como mercearia e consumíveis essenciais estão a ter uma boa performance, enquanto outras categorias, como moda, beleza e cosméticos estão a registar um acentuado declínio no consumo», indica o analista da Forrester, Michael O’Grady, citado pela Reuters.

A Forrester vaticina que as vendas de artigos não ligados à alimentação caiam 20% em 2020, equivalente a uma perda de 360 mil milhões de dólares – as previsões anteriores à pandemia eram de crescimento.

A GlobalData, por seu lado, tinha já anunciado que o retalho não-alimentar seria o mais afetado, sobretudo os especialistas em vestuário. Só no Reino Unido, as previsões para o consumo em vestuário e calçado estão agora cifradas em 39,7 mil milhões de libras (cerca de 45,7 mil milhões de euros) para 2020, o que representa um declínio de 26,1% em comparação com o ano passado.

Em relação às vendas online, a Forrester adianta que vão permanecer estagnadas este ano, embora acredite que a crise vai acelerar a mudança para o comércio eletrónico. Em 2024, a consultora prenuncia que um terço das compras de artigos não-alimentares será feito no canal digital e nas compras de artigos alimentares, a quota online deverá mais do que duplicar.