Início Notícias Retalho

Retalho próspero em 2017

As vendas dinâmicas da quadra natalícia sugerem que os consumidores norte-americanos permanecem «razoavelmente resistentes» face à instabilidade política e social, segundo a agência de rating Moody's, pelo que 2017 se mostra favorável para o sector do retalho nos EUA. Os grandes armazéns, contudo, não serão apanhados por este clima de otimismo.

As vendas totais no retalho durante a quadra natalícia de 2016 ficaram em linha com as expectativas gerais da agência de rating, pelo que, num relatório enviado na semana passada ao portal Retail Dive, a Moody’s projeta que as vendas nos EUA cresçam cerca de 3% a 4% em 2017.

Contudo, os grandes armazéns tiveram uma performance atípica: a categoria não conseguiu manter o ritmo, apesar dos níveis mais baixos de stocks e do clima sazonal favorável, e «assinalou uma das piores performances de vendas no subsector de retalho» no período, revela a analista Christina Boni, da Moody’s (ver Ano de mudança no retalho).

As lojas de artigos de bricolagem, as cadeias de desconto e o retalho especializado, por seu lado, estarão entre os maiores impulsionadores do crescimento em 2017.

A receita da Amazon também deverá aumentar este ano, mas as margens brutas da gigante online serão baixas, segundo o relatório.

A preferência dos consumidores por cadeias off-price como a T. J. Maxx e a Ross e por canais de comércio eletrónico são, para a Moody’s, as verdadeiras ameaças à performance dos grandes armazéns. «O lucro operacional para o sector em 2016 deverá cair 18%, em relação à previsão anterior de 11%», afirma Boni, observando que, na quadra natalícia de 2016, a Macy’s e a Kohl’s registaram um declínio de 2,1%, enquanto a JC Penney baixou 0,8%. Além disso, a Macy’s prevê que as vendas diminuam mais 2% em 2017, acrescenta Boni.

Nick Egelanian, presidente da consultora de desenvolvimento de retalho SiteWorks International, concorda que os clientes estão a voltar-se para as cadeias de baixo preço e a favorecer retalhistas de cosmética como a Ulta em vez dos grandes armazéns, algo que está a prejudicar a prestação do segmento de forma muito mais preocupante do que o comércio eletrónico. «A narrativa de que a Internet tem algo a ver com a má performance dos grandes armazéns está errada», defende Egelanian. «Isso [o boom do comércio eletrónico] não tem feito com que a H&M pare de abrir lojas, nem travado as cadeias off-price. Os cosméticos eram o último bastião dos grandes armazéns e a Ulta está a acelerar o crescimento das suas lojas… Os grandes armazéns estão sob ataque em larga escala e isto é apenas o começo», explica.

A conclusão da Moody’s de que o crescimento da receita da Amazon continuará, mas as suas margens permanecerão baixas​​ reforça também a afirmação de Egelanian de que o comércio eletrónico não será a fonte de crescimento mais promissora dos retalhistas. «[A Amazon] não está a ganhar dinheiro expedindo artigos», sublinha.