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Retalho recupera fôlego na Europa

Durante o período de confinamento no Velho Continente, as vendas de vestuário caíram significativamente. Com a reabertura do retalho, os consumidores regressaram às compras e o sector ganhou ânimo.

[©Quartz]

No mês de maio, o retalho disparou 17,8% na zona euro em 19 países comparativamente com o mês anterior, segundo as estatísticas oficiais reveladas na semana passada. Depois da queda do sector registada em abril, o cenário só podia melhorar e, mesmo assim, as notícias focaram-se na realidade de que o retalho continua abaixo, em cerca de 5%, do valor registado para o mesmo período do ano transato.

Para alguns analistas do sector, o panorama atual pode ser motivo para ter esperança face aquilo que seria expectável para a recuperação económica da Europa. Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg Bank na Alemanha, afirmou ao New York Times que a retoma do consumo foi muito mais sólida do que apontavam as previsões, motivo pelo qual alterou as estimativas para o segundo trimestre do ano que, desta forma, passam a ser «menos más, se não boas».

Ainda que os gastos dos consumidores tenham aumentado e suportado a recuperação do retalho, a evolução para o sector não está distribuída de forma equiparável pelos diferentes países. A Alemanha, que deu início à reabertura das lojas em abril, verificou um crescimento expressivo nas vendas. Por seu lado, o Reino Unido atrasou este processo de retoma para junho, com dados positivos até ao momento. O nível dos gastos dos consumidores pode ser diretamente influenciado pela capacidade que o país em que cada um vive tem para conter a disseminação do vírus, o que faz com que se sintam mais confortáveis, contribuindo para o nível do retalho no pré-pandemia. Os dados de retalho da OCDE revelam que, embora as vendas estejam a ser restabelecidas, alguns países têm mais capacidade para compensar a situação e atingir os valores do sector antes da crise.

Apesar das diferenças locais para gerir a situação sem precedentes, o desempenho da Europa tem sido «positivo» relativamente ao controlo do Covid-19, à exceção de surtos ocasionais, como é exemplo a Suécia, que se recusou a impor um período de confinamento, notícia a Quartz.

Controlar o vírus

A resposta europeia face ao surto contrasta com os EUA, que continuam a ter novos casos de infetados e onde as previsões para uma rápida recuperação económica se vão desvanecendo. Em maio, os EUA presenciaram um aumento nas vendas, um desenvolvimento que pode não permanecer com os casos de Covid-19 a cresceram em vários estados do sul e na Califórnia, que podem impedir o curso da reabertura.

[©Reuters/Lucas Jackson]
Os especialistas de retalho deixaram bem claro que independentemente da parte do mundo, seja na Europa ou nos EUA, existe um ponto comum de que a recuperação do retalho depende da forma como cada nação contém a propagação do coronavírus. As medidas de proteção, como o uso de máscaras, devem ser aplicadas exatamente com esta finalidade, mas também é necessário reconhecer o impacto «qualificável» que estes artigos têm para a economia. A prática já obrigatória em muitos países está a ser implementada voluntariamente por alguns retalhistas dos EUA, que pretendem que os consumidores usem máscara nas lojas.

Os EUA, ainda em risco, ultrapassaram pela primeira vez os 70 mil casos nas últimas 24 horas.