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Retalho unido contra o plástico

Inditex, H&M e Target são algumas das 350 entidades envolvidas no New Plastics Economy Global Commitment, que pretende erradicar o desperdício das embalagens de plástico. As retalhistas comprometeram-se em aumentar a utilização de plástico reciclado nas embalagens.

Lançado em outubro de 2018 pela Ellen MacArthur Foundation e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o projeto congrega algumas das maiores produtoras do mundo de artigos embalados, retalhistas, bem como produtoras de embalagens de plástico.

Segundo um novo relatório do projeto, as 150 empresas signatárias – que coletivamente representam mais de 20% do volume mundial de embalagens em plástico – comprometeram-se em aumentar, até 2025, a quantidade de plástico reciclado usado, de uma média global de 2% para 25%. A Marks & Spencer promete chegar aos 30% e a Walmart aos 17%.

Um pequeno passo num grande desígnio

Trata-se do «maior compromisso de sempre» para a utilização de plástico reciclado no embalamento, aponta o relatório. Ainda que atingir este compromisso possa resultar numa redução significativa da produção de plástico virgem, bem como uma redução anual de cerca de 7 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono, é necessária mais ambição, defende Sander Defruyt, líder do New Plastics Economy Commitment, ao Sourcing Journal.

«A estratégia e o plano de ação definidos neste compromisso são um significativo passo em frente, tendo em conta o ritmo de mudança sentido nas últimas décadas. Contudo, ainda estamos distantes de ir verdadeiramente de encontro à escala do problema», afirma Defruyt.

Compromissos que envolvam a eliminação de «itens desnecessários e problemáticos» e a aposta em modelos inovadores de reutilização, em particular, ainda são reduzidos, avisa o responsável da iniciativa. Apenas 14 marcas e retalhistas, incluindo a Inditex e o grupo Schwarz, pretendem ou estão a planear eliminar ou reduzir significativamente o uso de sacos de plástico descartáveis. Até ao final de 2019, a H&M, por exemplo, irá passar a utilizar sacos de papel, em vez de sacos de plástico.

Além disso, apenas 40 retalhistas irão apostar em projetos inovadores com vista à criação de modelos de reutilização. «Há cada vez maior ambição para progredir verdadeiramente na luta contra a poluição mundial de plástico, até 2025, e passar do compromisso para a ação é crucial. Grandes investimentos, inovações e programas de transformação devem iniciar-se agora», assegura o líder do New Plastics Economy Commitment.

A Stora Enso, produtora de papel, que está a trabalhar com o grupo Ikea e o grupo H&M na joint venture TreeToTextile, com o objetivo de desenvolver fibras celulósicas eficientes e sustentáveis, anunciou que irá apoiar o compromisso, no sentido de criar alternativas ao embalamento em plástico, tendo como base fibras obtidas de forma sustentável.

Entre os signatários, atualmente, o New Plastics Economy Commitment conta com 26 instituições financeiras com 4,2 biliões de dólares (3,7 biliões de euros) em bens coletivos. Segundo o relatório, alguns investidores também se juntaram ao compromisso, com um valor de 275 milhões de dólares, para apoiar o desenvolvimento de modelos de negócio, materiais, tecnologias e outras soluções, com vista a ajudar os signatários a irem de encontro aos seus objetivos.

Os resistentes à mudança

Uma das grandes ausentes da discussão é a Amazon, a maior produtora e transportadora de embalagens descartáveis, segundo a plataforma eMarketer. No entanto, a empresa tem realizado algumas ações sustentáveis, como os seus planos de investir 10 milhões de dólares no Closed Loop Fund, um fundo com impacto social que tem como objetivo retirar materiais recicláveis de aterros. Recentemente, garantiu que, até 2030, metade dos seus envios irão produzir «zero emissões» de dióxido de carbono.

A parte da cadeia de aprovisionamento menos representada no compromisso são as produtoras de matérias-primas. «Neste momento, a Indorama e a Borealis são as duas únicas grandes produtoras que assinaram o compromisso. Ambas definiram objetivos para aumentar significativamente a inclusão de material reciclado nos processos produtivos», revela o relatório. Com a contínua extração de novos materiais, em vez da utilização de materiais já existentes, a indústria química está a deixar escapar uma oportunidade de 55 mil milhões de dólares, de acordo com números da McKinsey & Company.