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Retoma de luxo

O mercado de luxo da Rússia pode valer apenas metade do valor que possuía antes da crise financeira, mas a sua sede pelo excesso está a regressar, apesar de permanecerem as incertezas sobre a capacidade de crescimento. «Devagar, devagar, as pessoas estão a começar a viver novamente», afirma Alla Verber, o magnata russo do vestuário e proprietário da Tsum, a resposta moscovita à Saks Fifth Avenue. Verber refere que o duro golpe causado no mercado de luxo pela crise de há dois anos atrás – que reduziu para metade um mercado de quase 8 mil milhões de dólares, forçando lojas como Alexander McQueen e Vivienne Westwood a encerrarem definitivamente as suas portas – abrandou no final do ano passado. Como quase todos os aspectos da economia da Rússia, a recuperação do luxo tem estado atrelada ao preço do petróleo. Com os preços do petróleo a recuperarem para quase 115 dólares por barril em Março – mais do triplo do valor registado durante a crise – as bolsas da Louis Vuitton e os sapatos de Manolo Blahnik estão novamente a tomar de assalto as ruas de Moscovo, cidade que representa 80% dos bens de luxo vendidos na Rússia. Em todo o mundo, o mercado de produtos de luxo recuperou em 2010, muito mais rapidamente do que os analistas esperavam, impulsionado pela crescente procura da China, pela recuperação nos EUA – principal mercado de luxo do mundo – e pelas fortes compras do turismo na Europa. Muitos analistas esperam que o crescimento global deste ano seja cerca de 8% a 10%. Mas os analistas dizem que a Rússia foi derrubada da sua posição pré-crise como quarto maior mercado de luxo do mundo e superada pelo desejo de luxo da Ásia, nomeadamente China, Japão e Coreia do Sul, e pela limitação de possuir a sua riqueza concentrada num número restrito de indivíduos. «A Rússia terá, talvez, saído do radar de algumas empresas de luxo», considera Thomas Chauvet, analista de bens de luxo no Citi em Londres. Os analistas estimam que o mercado de luxo russo corresponde a 3% das vendas mundiais e Chauvet acredita que a Rússia poderá ganhar 1 a 2 pontos percentuais nos próximos cinco anos, mas não mais, em parte devido à concentração da riqueza. Verber revelou que, no ano passado, a receita aumentou entre 15% e 20% em comparação com o ano da crise de 2009 na Tsum, mas não divulga o valor dos resultados. A estilista britânica Stella McCartney reentrou no mercado russo em Dezembro através de uma concessão na Tsum, regressando depois da sua loja independente sair rapidamente do mercado em 2009. Também Umberto Angeloni, responsável pela transformação da Brioni, juntou-se à Tsum com a sua nova marca Uman.