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Reutilização no futuro da ITV

O modelo de negócio adotado pela indústria de vestuário, em que as peças de roupa são produzidas, usadas e destruídas, contribuiu significativamente para a crise climática atual. Para reduzir este impacto negativo, um novo relatório afirma que é necessário implementar um modelo circular, onde reutilização é a palavra chave.

[©The Renewal Workshop]

De acordo com uma análise recentemente lançada pela The Renewal Workshop, um fornecedor de soluções circulares para as empresas da indústria têxtil e vestuário sediado em Oregon nos EUA, a transição do sector para um modelo circular é essencial numa perspetiva ambiental.

Batizado “Leading Circular”, o relatório compilou várias pesquisas assim como as melhores práticas recomendadas no que respeita à circularidade durante os últimos quatro anos da The Renewal Workshop a trabalhar com players do mercado. Foram 20 as marcas que colaboraram com o grupo para fornecer os dados que permitiram concluir avaliações para mais de 50 empresas líderes da indústria têxtil e vestuário.

«Desde a Revolução Industrial, a nossa economia tem-se baseado num sistema linear», afirmam os fundadores do grupo, Nicole Bassett e Jeff Denby. ao descrever «um modelo que usa as matérias-primas, faz coisas, vende-as para as pessoas e quando o consumidor está cansado de usufruir delas, os produtos são deitados fora». «Este sistema de “pegar, fazer, usar e desperdiçar” foi desenvolvido em práticas de obsolescência programada que conduzem as decisões de design, produção e vendas em quase tudo o que fazemos», acrescentam, citados pelo Sourcing Journal.

A The Renewal Workshop oferece serviços como a reformulação de têxteis e vestuário, a criação de canais de venda para produtos renovados, mapeamento circular, recolha de dados e investigação e desenvolvimento da reciclagem têxtil. No portfolio de marcas da empresa constam nomes como Cos, The North Face, Prana, Mara Hoffman, Eagle Creek, Carhartt e Pottery Barn, entre muitas outras.

Valores insatisfatórios

A análise do programa piloto da fornecedora de soluções circulares mostrou que mais de 82% daquilo que é considerado como desperdício ou resíduos de têxteis e vestuário podem ser renovados e voltarem a ser vendidos, com uma margem saudável.

[©The Renewal Workshop]
De todos os produtos recolhidos para a experiência, quase metade (46%) precisou apenas de pequenas reparações para estar ao nível da qualidade de loja, enquanto 36% dos artigos necessitaram de mais atenção. Já 18% dos bens foram considerados bons candidatos para a reciclagem.

Neste caso, as falhas e imperfeições que levam os artigos de vestuário a ser descartados vão desde a sujidade e manchas (26%) a buracos (21%), rasgões (9%) e fechos partidos (7%).

Atualmente, quase um quarto (24%) dos produtos considerados impróprios para venda vai parar a aterros ou é incinerado e 5% são destruídos de outra forma. Já cerca de um terço (31%) dos resíduos de moda é doado e apenas 8% são reciclados ou reaproveitados.

Estes valores revelaram-se insatisfatórios para muitos dos players do sector, uma vez que 84% confessaram à The Renewal Workshop sentir que a indústria de vestuário teve um impacto significativo nas mudanças climáticas. 92% consideraram mesmo as mudanças climáticas como uma problemática que requer medidas imediatas.

Opções circulares

Segundo a The Renewal Workshop, a revenda e o aluguer são formas de ajudar a prolongar a vida dos artigos, mantendo-os em circulação por mais tempo. De igual modo, os programas de retoma das marcas são outra opção para lidar com o vestuário que já chegou ao fim da relação com o respetivo consumidor.

[©The Renewal Workshop]
Ter o fim do ciclo de vida em mente é outro dos aspetos mencionados pela empresa, uma vez que se os produtos forem compostos por materiais recicláveis é mais fácil para o consumidor desapegar-se dos artigos com um menor impacto. Neste âmbito, a The Renewal Workshop apontou a marca Coyuchi como um exemplo por causa do programa circular Coyuchi for Life, uma plataforma lançada em 2017, que permite que o cliente possa alugar os produtos e devolvê-los depois de um determinado período de tempo. Os produtos presentes na plataforma são classificados e aqueles que atenderem aos critérios dos artigos quase novos são revendidos num programa de segunda mão.

A Cos, marca de vestuário premium e minimalista da H&M, lançou recentemente a própria plataforma de revenda, denominada Resell, quando a Zalando também estreou a aposta no segmento de segunda mão.

«Não existe um caminho único para a transição de um modelo de negócios linear para circular», garantem Nicole Bassett e Jeff Denby. «No entanto, existem caminhos testados que podem selecionar para trazer práticas circulares às empresas, de modo a que se alinhem com a cultura e as prioridades de negócios. Agora é tempo de investir nessas experiências», concluem.