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Revolução na ITV chinesa – Parte 2

O crescimento da indústria têxtil e de vestuário chinesa abrandou. Para tal contribuíram a subida do yuan renminbi, o ajustamento das políticas de benefícios fiscais e o atrito no comércio internacional (ver notícia no Portugal Têxtil). Este abrandamento aliado à reduzida margem de lucro e ao aumento no custo da mão-de-obra, vão obrigar o sector a subir na escala de valor. Uma indústria de lucros baixos A indústria têxtil chinesa é uma vasta indústria tradicional e a China é actualmente o maior exportador de têxteis e vestuário do mundo. Em 2006, o excedente comercial da indústria têxtil e de vestuário da China cifrou-se nos 129,2 mil milhões de dólares, contribuindo com 71% para o total do excedente comercial do país. No entanto, a indústria têxtil e de vestuário chinesa não está plenamente desenvolvida. A maior parte das empresas, especialmente os produtores de vestuário, estão orientadas para a transformação, servindo apenas como fabricantes. De acordo com as estatísticas do Ministério do Comércio da China, as exportações de têxteis e vestuário chineses com marca independente são responsáveis por apenas 10% do total das exportações sectoriais. Existem actualmente mais de 30.000 empresas de têxteis e vestuário na China. Os exportadores chineses possuem apenas margens de lucro na ordem dos 3 a 5%, ao passo que mais de 90% dos lucros vai para os importadores, retalhistas, revendedores, proprietários das marcas e empresas relacionadas. A indústria têxtil e de vestuário chinesa emprega 20 milhões de pessoas e a sua vantagem ao nível do custo da mão-de-obra está a diminuir. Gao Hucheng, vice-ministro chinês do comércio, refere que de acordo com um relatório divulgado pela Werner Internacional, as empresas têxteis e de vestuário localizadas nas tradicionais zonas costeiras estão a registar custos laborais crescentes, no limiar do 1 dólar por hora. Há dez anos atrás, o custo era inferior a 0,3 dólares por hora e há cinco anos atrás, era menos de 0,6 dólares por hora. Considerando a região asiática, o custo da mão-de-obra no Vietname (0,29 dólares por hora), Cambodja (0,36 dólares por hora), Bangladesh (0,22 dólares por hora) e Indonésia (0,36 dólares por hora), é significativamente inferior ao praticado em média na China. Embora os lucros das empresas têxteis e de vestuário da China sejam baixos, o sector oferece um enorme mercado para o mundo da indústria têxtil, impulsionando as importações de produtos relacionados, como o algodão (a China é o principal importador de algodão do mundo) e as máquinas têxteis. Necessidade de actualização A concorrência baseada no baixo valor acrescentado e no lucro baixo, leva a que muitas empresas têxteis chinesas tenham vindo a perder dinheiro. Os dados da CNCTV mostram que apenas 40% das empresas apresentam lucro, enquanto que os outros 60% não apresentam lucro ou apresentam prejuízo. Conscientes desta situação, o Ministério do Comércio da China, a CNDR e outros departamentos governamentais apelaram aos exportadores para acelerar a transformação da indústria, afastando-se do foco na quantidade. No entanto, não existem muitas empresas têxteis e de vestuário em transformação. Menos de 10% do total encontram-se em processo de actualização para produtos de carácter mais tecnológico, e menos de 1% estão concentradas na melhoria do conteúdo tecnológico dos seus produtos e no desenvolvimento de marcas independentes. A maior parte das empresas está simplesmente a manter o padrão de produção de produtos de baixo valor acrescentado.