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RFID ao serviço da luta contra o roubo

O grupo francês Casino vai equipar, ainda este ano, 12 milhões de artigos têxteis com etiquetas dotadas de traçador por rádio frequência (RF). Estas etiquetas destinadas a substituir os tradicionais marcadores anti-roubo, serão integradas na fonte, isto é nos locais de fabricação dos produtos, situados em 3 países do sudeste asiático. De momento, a operação diz respeito apenas às camisas, t-shirts e calças da marca própria do grupo Casino – Tout simplement. Estas etiquetas serão utilizadas nas duas próximas colecções da marca de vestuário, antes de serem estendidas a outras famílias de produtos, como álcool, perfumes ou DVDs. As etiquetas são em Valeron, um material plástico anti-rasgo, e atadas ao produto por um fio de polipropileno que danifica a peça de vestuário em caso de arranque.

Esta nova solução visa um combate mais eficaz contra o roubo. O traçador RF está integrado de forma discreta no produto e é facilmente identificado e desactivado aquando da passagem nas caixas registadoras, por intermédio de scanners de leitura de códigos de barra equipados com um desactivador. Se o produto não tiver sido pago, este traçador dispara um sinal durante a sua passagem entre as antenas numéricas de 3ª geração. A grande vantagem deste sistema é a sua compatibilidade com a tecnologia RFID, que deverá se generalizar no universo da grande distribuição nos próximos anos.

No entanto, as etiquetas RFID têm gerado alguma controvérsia no Reino Unido. Com efeito, a decisão do líder da grande distribuição Tesco de instalar 4.000 leitores RFID e 16.000 antenas nas suas 1.800 lojas suscitou uma onda de protestos junto das associações de consumidores britânicos. Para os detractores da RFID, estes sistemas são mais do que uma simples extensão do princípio do código-barras e permitirão aos distribuidores “espionar” o comportamento de compra dos consumidores. Alguns sustentam mesmo que «chegou o Big Brother das caixas». A associação American Civil Liberties apelou já ao boicote da insígnia.

Por seu lado, a Tesco sublinha que o objectivo deste dispositivo logístico é seguir o aprovisionamento em tempo real, de modo a melhorar a gestão dos stocks. Em especial, o gigante britânico da distribuição, que passou de número 3 no Reino Unido a número 3 mundial em 10 anos, alega que esta operação envolve somente as paletes e os pontos de recepção das mercadorias e não os produtos vendidos na loja. De qualquer modo, os analistas sublinham que o sistema RFID não está ainda suficientemente avançado para efectuar, a curto prazo, uma real “espionagem” do consumidor.