Início Notícias Têxtil

Rifer no caminho da estamparia digital

O mercado da estamparia digital tem crescido a um ritmo acelerado nos últimos anos, impondo-se como uma das tendências do futuro para a indústria têxtil e vestuário. A Rifer junta-se agora à oferta portuguesa, depois de dois programas de investimento que totalizaram 3,4 milhões de euros.

Avelino Fernandes

Sediada no cluster têxtil de Vila Nova de Famalicão, a Rifer tem, como áreas de negócio, os têxteis-lar, vestuário e ainda o sector industrial. Com a tecelagem como valência industrial, que dispõe de uma capacidade produtiva média de 300 mil metros mensais, a Rifer integra ainda o design e os acabamentos. No final do ano passado, acrescentou mais uma competência tecnológica dentro de portas: a estamparia digital.

«Temos alguns clientes nesta área [da estamparia digital] para os quais estávamos a subcontratar o serviço», revela Avelino Fernandes, o CEO da empresa. Além disso, «tínhamos uma área de acabamentos que estava um pouco subaproveitada. Então acrescentámos este processo e ocupámos toda a zona dos acabamentos», explica ao Portugal Têxtil. Soma-se ainda uma última vantagem: «acabámos por depender menos do mercado que temos», garantindo «mais valor com a estamparia digital», destaca. Neste momento, este processo industrial tem uma capacidade produtiva de 250 metros por hora.

O arranque da desta nova atividade produtiva teve início em outubro de 2019, depois de três anos, ao abrigo no Portugal 2020, para a implementação de dois programas de investimentos que totalizaram 3,4 milhões de euros – um deles já está finalizado, enquanto o outro «está à volta dos 50%» e deverá terminar este ano, adianta Avelino Fernandes. Além da estamparia digital, abarcou ainda a renovação de maquinaria de tecelagem e de acabamentos, a introdução de jacquards e a instalação de um parque fotovoltaico.

«Estes últimos cinco anos foram muito positivos para a nossa empresa. Crescemos bastante em volume de negócio», afirma o CEO. Contudo, agora «[queremos] sair do mais convencional e apostar um pouco num artigo diferenciado», sublinha.

Jogar pelo seguro

Com uma taxa de exportação que ronda os 30%, a Rifer apresenta, este ano, aos seus principais mercados externos – EUA e Suécia – uma coleção pautada pela sustentabilidade ambiental. «A nossa produção era fundamentalmente 100% algodão e, neste momento, estamos a investir em novas fibras, sempre no ramo do algodão, mas com misturas», esclarece Avelino Fernandes.

Apesar do crescimento de 5% em 2019 face ao ano anterior, para 9,6 milhões de euros, a Rifer não ambiciona para já investir em novos mercados. «Valorizamos mais a preservação dos clientes que temos e a evolução com eles, do que a aposta em mercados novos», reconhece o CEO. Por outro lado, «a posição que temos em Portugal não nos permite crescer muito mais a nível de produção», tornando a empresa incapaz de alimentar a procura por parte de mais países, admite.

O objetivo para 2020 é «manter», assegura Avelino Fernandes, tentando contornar a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, os custos de faturação crescentes e a conjuntura política interna e externa. «[São] estes pequenos receios que afetam o negócio», aponta o CEO. A solução é «apostar em novos produtos» e fidelizar os clientes atuais, conclui.