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Rigor germânico nos custos

O ano de 2009 anuncia-se difícil para a indústria têxtil da Alemanha. Após dois anos de crescimento, 2008 ficou marcado por uma estagnação e 2009 não anuncia dias muito melhores. De acordo com os últimos números do gabinete federal de estatística, o volume de negócios da indústria têxtil alemã recuou 4,4% entre Janeiro e Novembro de 2008. Neste contexto, os industriais alemães estão mais do que nunca centrados na economia de recursos. Não temos outra solução que não concentrar a nossa atenção nos custos», acredita Henri Rowienski, director-geral da KBC. Queremos também melhorar a produtividade». A estamparia não hesitou, por isso, em investir, no passado mês de Janeiro, em novas máquinas de injecção que permitirão uma produção com maior qualidade e rapidez. Muitos industriais estão igualmente a apoiar-se na criatividade e na inovação como mais-valias. Tanto Henri Rowienski como Hervé François, director da Color-Textil querem enriquecer as suas colecções. A especialista em lanifícios Stöhr também desenvolveu novos produtos, nomeadamente para malhas. Uma forma de todos tentarem aumentar a sua clientela. Este ano é preciso convencer os clientes a voltarem para as empresas europeias. Mas isso deve ser feito muito naturalmente, até porque os compradores não querem certamente tomar riscos, aprovisionando-se em países longínquos», confia François. Os industriais acreditam, por exemplo, que os actuais fornecedores fora da Europa não poderão, no actual difícil contexto económico, tocar nas suas taxas. E alguns crêem mesmo que é preciso baixar os preços. Nestes tempos de crise, para vender, somos obrigados a reduzir os preços dos nossos produtos face à queda da lã», lamenta Werner Graf, director da fiação de lã Stöhr. Neste contexto, as empresas sem poder financeiro antevêem dificuldades. Os que estão dependentes de financiamentos externos devem ficar preocupados», avisa Henri Rowienski. Os industriais prevêem, por isso, novos desafios em 2009. A Bremer Woll-Kämmerei (BWK), especialista em lã penteada, é a última grande vítima. Criado há mais de 125 anos, o grupo deverá fechar as portas. A redução das encomendas, agravada pela crise económica, e a concorrência asiática não lhe deixam outra alternativa. Em 2008, raros foram os industriais têxteis alemães poupados ao recuo do consumo. A KBC viu o seu volume de negócios recuar ligeiramente em relação a 2007. Mas, de acordo com Henri Rowienski, a gestão dos custos já produziu os seus frutos, permitindo conseguir um excedente operacional bruto. Na Lauffenmühle, após um início de ano eufórico, os objectivos foram revistos em baixa a partir do mês de Abril. E embora Setembro e Outubro tenham sido satisfatórios, os últimos dois meses do ano foram difíceis. A Werner Graf também não esconde que 2008 foi mau». E em Setembro, o produtor de tecidos de algodão Hof anunciou uma redução de 5% das suas vendas, para os 95,8 milhões de euros, em relação ao primeiro semestre de 2007, com os resultados operacionais a caírem 37%, para os 2,7 milhões de euros. Entre Janeiro e Novembro, foram as fiações que mais sofreram. As suas vendas registaram uma quebra vertiginosa de 25% em relação a 2007. E é na exportação que a performance é mais negativa, com um recuo de 30%. Do lado dos produtores de tecido, pelo contrário, foram as vendas para os mercados externos que permitiram evitar números catastróficos. Apesar de tudo, o volume de negócios global registou um recuo de 9%. As fiações de lã penteada foram as que mais sofreram, com uma queda de 20%. As de lã cardada minoraram as perdas, com as vendas em baixa de 8%.