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Rio cada vez mais Fashion

A 13ª edição do Fashion Rio, que terminou na passada sexta-feira, registrou recordes de vendas, apesar da muito badalada ausência de nomes de peso como a Colcci ou Giselle Bundchen. Isto porque só no mercado interno as vendas totalizaram 443 milhões de reais e as exportações somaram 16,25 milhões de dólares. Estes valores, comparados com a edição precedente, representaram um aumento de 5,5% nas vendas totais, como confirmou Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, acrescentando, ainda que o evento recebeu mais de 11 mil pessoas entre convidados, visitantes e compradores nacionais e internacionais». Relativamente às exportações, o crescimento na edição deste ano do Fashion Rio rondou os 16% comparativamente com o resultado do ano transacto. Mais uma vez o Fashion Rio prova ser um evento que marca posição no Rio de Janeiro como o portal de moda do Brasil para o mundo. O balanço parcial das vendas superou as expectativas. Isso reforça o empenho da Firjan no desenvolvimento cada vez maior da cadeia produtiva de moda no Estado», reforçou Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, salientando que essas mesmas vendas podem crescer cerca de 50% ao longo do ano». Sendo assim a questão que se coloca é a seguinte: O que terÁ chamada tanto a atenção dos visitantes e compradores? A resposta parece clara para quem assistiu ao certame: uma boa dose de inovação que resultou na criação de colecções originais, muitos vestidos ousados e a junção de nomes de relevo ou em ascensão da moda brasileira. Nomes como o de Luana Jardim, que deu vida aos vestidos que foram moldados em placas de hematita, pirita e minério de ferro. Escolhi vestidos grandiosos para passar a força das matéria-primas. A colecção levou três meses a ficar pronta e cada prova, ajustando as formas de metal no corpo da manequim, levou um dia», salientou a estilista. Rita Wainer envolveu a plateia com uma “performance” colorida com os tons de África. Os estampados vieram da Costa do Marfim e os cordões vermelhos trouxe de Marrocos», salientou a estilista, que compôs sobre espelhos quebrados um relógio humano com as moiras – três deusas gregas tecendo fios coloridas –, segundo ela os fios da vida. De igual forma, Wainer modernizou o look das africanas em vestidos mais curtos moldados ao corpo de acordo com a técnica do moulage, exagerando os volumes valorizados pelos tecido. Se depender de Luciano Canale, da Sta. Ephigênia, o Verão serÁ feliz e repleto de borboletas rosas, joaninhas alaranjadas, trevos e esperanças verdes. Concebi roupas usÁveis, misturando as cores. Embora toda a gente use o preto, acho que as pessoas estão cada vez mais à procura de cor e a cor traz esperança», declarou Luciano. JÁ os sorrisos blindados de “Betty Feia” em boquinhas pintadas de vermelho e xadrez com mini-bonequinhas de pano bordadas coloriram o estilo latino de Thais Losso, que desfilou entre os contentores da Marina da Glória, inaugurando assim a exposição “Fashion Container”,uma das novidades que mais chamou a atenção do evento. Armados a céu aberto no meio do evento, estes contentores tinham como objectivo promover uma reflexão sobre as novas formas de apresentar a moda. De volta à passerelle tradicional e em tons de preto com bordados localizados, Walter Rodrigues inspirou-se em Audrey Hepburn e na China para criar a sua colecção para a próxima estação quente. O essencial é ser elegante. Audrey Hepburn alcançou esse estatuto na perfeição», explicou o estilista. JÁ a Salinas entrou em cena com a manequim Isabeli Fontana, dando destaque aos biquínis grandes com recortes geométricos em tons suaves como o rosa e o azul ou os luxuosos retrós bordados com cristais. Com uma guerra de travesseiros, a TNG criou um cenÁrio dos anos 20, com tendas em clima de clÁssicos balneÁrios franceses característicos da estância balnear de Deauville. A marca, que tem vindo a ganhar um perfil sofisticado graças à consultoria de Regina Guerreiro, deu destaque a dois nomes de peso: Raica e Reynaldo Gianechini, que arrancaram suspiros da plateia. Ousados e inovadores foram a estilista Amanda Mujica e o artista plÁstico Antonio Bokel, que passaram cinco horas trancados num contentor, no quarto dia do evento, criando a colecção “Performance em preto e branco”. O último da do evento foi dedicado ao mergulho. Lenny Niemeyer colocou as suas sereias no mar com direito a uma gigante bóia futurista em camadas de alumínio espelhado no belo cenÁrio de Marton. De igual forma, os vestidos marcaram presença com glamour – algumas vezes plissados, sempre soltos e muito confortÁveis. As formas orgânicas e arredondadas ganharam vida em estampados bordados sobre modelos que lembram o vestido-saco da década de 50. Mas neste último dia, o destaque tem de ser dado aos novos estilistas do Rio Moda Hype que fizeram furor. Foi o caso de James Cesari, que apresentou uma colecção masculina fresca e jovial, bem apropriada ao calor do Rio de Janeiro. A colecção, baptizada “Meninos do Mundo”, foi inspirada na moda de rua e no estilo irreverente dos adolescentes. As cores eram bÁsicas e variavam desde o branco ao preto, passando pelo cinzentos. JÁ Melca Janebro apresentou uma colecção romântica e feminina como o próprio título indicava: “Doce Felicidade”. Vestidos curtos e soltos, com mangas românticas e muita renda foram o destaque de um desfile bem comercial. Uma boa surpresa foi também a colecção de moda praia de Nana Garana, que trouxe fatos de banho e biquínis com recortes a laser e modelagens pouco convencionais. Por fim, Fernanda Yamamotto desfilou a colecção “From Japan, with Love”, em que homenageou o centenÁrio da imigração japonesa no Brasil. Os looks, bem estruturados, ora pareciam uma desconstrução dos quimonos, ora lembravam as dobraduras de origâmi. As cores chave foram o roxo, o preto e o rosa. Para Eloysa Simão, produtora do Fashion Rio, o conceito Repensar, reciclar, renovar», que foi o tema da 13ª edição do evento, vai muito além do simples reaproveitamento de materiais. Queríamos chamar a atenção para o desenvolvimento de uma tecnologia de reciclagem que vai garantir a sustentabilidade do planeta no futuro», concluiu.