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Riopele joga na antecipação

No ano do seu 90.º aniversário, a Riopele quer, mais do que olhar para o passado, projetar o futuro. A especialista em tecidos, que investiu 15 milhões de euros nos últimos anos, continua, por isso, a apostar na inovação de produto, como prova o lançamento da Tenowa, que combina a reciclagem e a reutilização de desperdícios.

Resultado do projeto R4 Textiles, a marca Tenowa é a mais recente adição ao vasto portefólio da Riopele (ver 34 + 9 em Munique). «A Tenowa foi criada para pôr em prática o novo paradigma da economia circular», revelou, em primeira mão ao Jornal Têxtil, o presidente do grupo, José Alexandre Oliveira. É um projeto que vem na nossa política de procura de novos caminhos. Antes tínhamos lançado a Çeramica Clean, inserida no projeto NanoSmart, que está a ter sucesso», explicou na entrevista publicada na edição de setembro.

Há muito que a empresa produtora de tecidos se apresenta como trendsetter no mercado mundial. «Tenho a noção que a maioria das pessoas está sempre à espera de ver o que traz cada nova coleção da Riopele. Temos tentado estar na crista da onda», admitiu José Alexandre Oliveira.

Para isso tem contribuído, além da aposta na criatividade, os vários investimentos realizados nos últimos anos, que ascenderam a 15 milhões de euros e permitiram que, aos 90 anos, a Riopele esteja na linha da frente tecnológica, com a mais moderna tecnologia de fiação, tecelagem, tinturaria, acabamentos e confeção, assim como disponha ainda de umas vastas instalações completamente renovadas.

Crescer na sustentabilidade

«Conseguimos ter uma empresa 100% apetrechada, completamente atualizada em termos de tecnologia e em termos de produtos. Hoje reciclamos mais de 60% da água e baixámos consideravelmente o consumo energético», sublinhou o presidente do grupo e, desde julho, único acionista. «Cada vez mais o cliente exige de nós uma moda responsável – já nem falo de clientes, falo de parceiros, porque estamos cada vez mais próximos uns dos outros. Os nossos parceiros querem saber o que estão a comprar, como é que se fabrica, se temos processos sustentáveis», referiu.

Como tal, «temos que estar permanentemente a verificar se a nossa política industrial está em consonância com o negócio, evidentemente tendo sempre em linha de conta que queremos ganhar dinheiro – uma das premissas de uma empresa é ter lucro e, por isso, os investimentos são feitos com racionalidade», acrescentou.

Em 2016, a empresa registou um volume de negócios de 70 milhões e para este ano as previsões apontam para um crescimento de 6%. «Será mais um ano excelente para a Riopele, como têm sido os últimos cinco anos. Iremos com certeza superar 2016. Temos vindo a crescer permanentemente e, por isso, antevejo que, no final do ano, só uma situação anormal poderia fazer com que não se atingissem objetivos de crescimento em relação ao ano anterior», afirma o presidente do grupo.

Europa, EUA e Ásia são os principais mercados da empresa, que tem desenvolvido os mercados da China, da Coreia do Sul e do Japão. «São países que nem existiam para nós há quatro anos e hoje têm um peso interessante no contexto do grupo – já devem pesar 10% dentro do nosso volume de faturação», indicou.

Preparar o futuro

Mas para José Alexandre Oliveira, a terceira geração à frente dos destinos da Riopele, o sucesso da empresa passa sobretudo pelos recursos humanos, que ascendem já a 1.100 pessoas. «Tenho-me sempre rodeado de uma equipa muito dedicada, jovem mas também com muita experiência. Agora o objetivo é preparar a empresa para que seja viável todos os dias», apontou.

Por isso, os próximos 10 anos serão «uma preparação do futuro da Riopele, a empresa deve ter um seguimento depois de mim», anunciou. «Sei perfeitamente que não sou eterno e, apesar de ter uma paixão pelo que faço – o têxtil faz parte da minha vida, é uma coisa que me está no sangue –, também tenho a noção clara que a minha responsabilidade hoje é, sobretudo, preparar a empresa para depois de mim», reconheceu.

«Os últimos cinco anos da Riopele foram de muita dedicação e de muito sucesso. É nesse comboio que quero que todos continuemos e não tenho dúvidas nenhumas que a Riopele tem toda uma estrutura criada para ser uma empresa da Europa e mesmo do mundo. Acho que somos muito mais reconhecidos lá fora – e fico satisfeito por sermos mais reconhecidos lá fora do que cá dentro. Isso tem-me sido transmitido e é um orgulho porque por esta empresa passam grandes grupos e marcas como clientes, que estão connosco porque sabem o trabalho que fazemos diariamente e de toda a nossa criatividade», concluiu José Alexandre Oliveira.