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Rita Noro cria arte têxtil

Já várias empresas abraçaram a sustentabilidade e investiram em novas tecnologias e sistemas para reduzir o desperdício. Rita Noro junta-se à tendência sob o conceito do upcycling. Recolhendo resíduos têxteis e peças já usadas, a criadora dá vida a artigos de vestuário únicos, numa guerra declarada ao fast fashion.

Rita Noro faz «tudo sozinha», desde a ideia até ao produto final, passando pela confeção, comunicação e venda, num conceito de marca que denominou por upcycling fashion brand. O processo envolve recolher todo o tipo de desperdício, a partir do qual são produzidas peças de vestuário únicas e exclusivas, a custo zero, explica ao Portugal Têxtil.

Depois de terminar a licenciatura no Institut del Teatre de Barcelona, a criadora de moda colocou a sua formação em pausa, para se dedicar integralmente às filhas. «Queria fazer Stage Design, não obrigatoriamente em teatro. Mas fui mãe e não queria perder nem uma vírgula do crescimento das minhas filhas até aos 3 anos», conta. Contudo, afirma, «não conseguia estar quieta», o que a levou a recorrer à sua máquina de costura para «modificar tudo o que tinha em casa e que me aborrecia. Entretanto comecei a perceber que as pessoas queriam comprar». Foi assim, que, em 2012, Rita Noro criou a sua marca própria, que tem por base o conceito de desperdício zero.

«Envolve um pouco fazer uma guerra ao fast fashion, que produz um nível de poluição inimaginável, além de que escraviza muitas pessoas», revela. Colecionando amostras de tecido de contentores de vestuário ou catálogos de lojas e empresas, a designer procura valorizar a textura e reproduzir uma sensação, através de peças «fantasiosas, com influências de época, vitorianas, muito teatrais e muito únicas» que, no fundo, compõem «arte têxtil», descreve. «Preocupo-me com a impressão digital que vou deixar no mundo para elas [as filhas], o que também passa por dar o exemplo», confessa.

Desafio a repetir

Atualmente, Rita Noro produz exclusivamente vestuário, acessórios e calçado femininos. A designer admite que já se aventurou pelo segmento de homem, em parceria com uma marca, para a confeção de um casaco de couro. «Foi realmente o desafio da minha vida», porque «tive todas as dificuldades técnicas possíveis. Não fiz moda, não sou costureira, tive que trabalhar sem manequim e não fazia a mínima ideia de como se tirava as medidas a homem. Mas o casaco esteve no topo de vendas», adianta. Ainda assim, prepara-se para investir novamente no segmento masculino, desta vez, com calças de couro.

Rita Noro

Até ao momento, Rita Noro serviu-se do passa-a-palavra, redes sociais e contacto direto com os clientes para vender os artigos, integrando adicionalmente a plataforma de comércio multimarca online Etsy. O objetivo da marca é «destacar pela diferença e fazer com que o vestuário diga um pouco daquilo que nós somos. Não quero ser igual a toda a gente», sublinha a criadora. Daí que cada peça seja única e impossível de ser reproduzida, ignorando totalmente as tendências de moda. «Não consigo trabalhar na moda sem um conceito, porque venho de teatro, não venho de moda. Portanto a mim não me interessam as tendências», reconhece. «As pessoas sentem que estão a vestir uma obra de arte», garante.