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Robotização na produção de vestuário mais perto

Um projeto tecnológico financiado pelo Advanced Robotics for Manufacturing Institute e que junta a Siemens e a Sewbo deu os primeiros passos para revolucionar a indústria de vestuário, com a capacidade de confecionar uma peça de roupa sem intervenção humana.

[©ARM]

O sistema robótico flexível foi desenvolvido para pegar nas peças de tecido, previamente endurecidas através da laminação com um polímero termoplástico solúvel em água, e confecionar vestuário, com as tradicionais máquinas de costura a serem controladas através do chamado Robot Operating System para conseguir uma operação sincronizada.

O polímero usado pode ser facilmente removido através da lavagem e pode ser reciclado para múltiplos ciclos do processo, indica o instituto americano no seu website.

«Apesar de estarem a ser universalmente adotados na produção tradicional, os robôs industriais não conseguiram encontrar um lugar em aplicações de costura de vestuário devido à dificuldade de lidarem com têxteis fluidos», explica o Advanced Robotics for Manufacturing Institute (AMR).

«A equipa desenvolveu um novo sistema e método para usar sistemas de robôs para conseguir operações de costura, incluindo dobrar, juntar e costurar. Na demonstração, o sistema conseguiu com sucesso coser as abas dos bolsos em calças de uniformes militares. O projeto serviu como um primeiro passo crítico para mostrar a viabilidade desta tecnologia. O sistema é capaz de produzir partes que satisfazem as exigências de qualidade da Bluewater Defense. Embora o atual sistema robótico tenha um ciclo de tempo superior aos operadores humanos, tem o potencial de levar a uma maior automação e a ciclos mais curtos com mais desenvolvimentos», sustenta.

Desenvolvimentos em curso

Várias tecnologias foram desenvolvidas no projeto para permitir a confeção de vestuário flexível e robusta, tendo sido usado como objeto de estudo a costura das abas dos bolsos. Depois, a equipa identificou e desenvolveu as várias capacidades robóticas (dobrar, soldar, coser) exigidas para essa tarefa. Estas capacidades foram desenvolvidas no Robot Operating System de uma forma modular e extensível para que pudessem ser utilizadas em diferentes cenários. A operação do robô foi orquestrada com outros equipamentos (máquinas de costura, máquinas de soldar e posto de dobragem) para assegurar uma operação sincronizada e sem problemas.

Sewbo [©Sewbo]
As partes de tecido foram laminadas e tratadas pela Sewbo com o processo de tratamento otimizado para assegurar a rigidez desejada. A Universidade California Berkeley desenvolveu modelos de simulação para os diferentes passos do processo. Depois de desenvolver e validar as tecnologias principais, a equipa da Siemens integrou e validou a operação antes de fazer a demonstração final na fábrica da Bluewater Defense em Puerto Rico.

A Siemens, a Bluewater Defense e a Sewbo estão a trabalhar em mais desenvolvimentos para apurar e otimizar a tecnologia. Vários projetos em curso do Advanced Robotics for Manufacturing Institute baseiam-se na propriedade intelectual gerada neste projeto, alargando a sua aplicabilidade à produção de equipamentos de proteção individual, como batas para médicos e máscaras faciais, em resposta à pandemia de Covid-19 e à confeção de peças de vestuário mais complexas e avançadas.

«Este projeto demonstrou ganhos tecnológicos impressionantes e vai resultar num impacto significativo nos parceiros do projeto e em toda a comunidade do Advanced Robotics for Manufacturing Institute», conclui o instituto americano.