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Roménia de luxo

A indústria do luxo parece ter um futuro brilhante na Roménia, onde as vendas estão em alta e as novas marcas se multiplicam como cogumelos, como testemunha o evento Luxury Show», organizado por altura do Natal e cujas encomendas se cifraram nos milhões de euros. Vindo directamente da áustria para representar as marcas Bentley e Lamborghini, Uwe Schrammel esfrega as mãos de contentamento. Na Roménia, as nossas vendas aumentam todos os anos. Estamos a pensar em instalar um concessionário para o próximo ano», anuncia, revelando que em Outubro tinha já vendido quatro Bentley e dois Lamborghini no salão automóvel de Bucareste. Mirela Oprina, directora-executiva da Neptun Yacht, acredita, por seu lado, que o iate de luxo em exposição, com 13 metros e cujo valor ronda os 660.000 euros sem impostos, vai encontrar facilmente comprador. Em 2006 vendemos um, no ano passado foram quatro, e este número vai certamente aumentar para o próximo ano», afirma. Fomos olhados com reticência na primeira edição do salão de luxo, em 2006, porque a maioria da população não podia sequer sonhar com os produtos aqui expostos. Para nós, o Luxury Show representa uma imensa provocação profissional, um projecto pioneiro», afirma Camelia Buda, directora da sociedade Euroexpo, co-organizadora do salão. Juntamente com a Bulgária e a Ucrânia, a Roménia representa um dos mercados mais promissores da Europa de Leste para as marcas de luxo, sustentam os profissionais do sector. Os grandes nomes da moda e do automóvel não hesitam em instalar-se directamente. Louis Vuitton e Gucci devem abrir lojas em 2008. A Ferrari prevê também a abertura de um showroom em Bucareste. Segundo um estudo da consultora CPP Management Consultants, só na capital da Roménia gastaram-se entre 90 milhões e 129 milhões de euros por mês em produtos de luxo (excluindo hotelaria e perfumaria de luxo), desde Fevereiro de 2006. Este aumento exponencial explica-se pela emergência, após a queda do regime comunista, de uma classe de novos-ricos» em busca de novas aquisições para impressionar os vizinhos e amigos. Ajudados por um crescimento económico sustentado e pela privatização massiva de sectores completos, constituíram-se enormes fortunas. Rapidamente, esta nova classe foi seduzida pelo consumo imediato e ostensivo, como sinal exterior de riqueza. Surgiu uma necessidade muito forte de reconhecimento, que não existe entre os ricos que têm uma história», explica o sociólogo Mircea Kivu. No comunismo, a elite escondia a sua riqueza, tal como Ceausescu que rodeou as suas propriedades de grandes muros para que não fosse visíveis do exterior. Era a norma», acrescenta. Para se demarcar, os novos-ricos» não hesitam em procurar os produtos de luxo nos países ocidentais. Há um número crescente de Romenos a fazer as suas compras em Milão, Paris ou Nova Iorque, o que vai incitar as grandes marcas a instalar-se cá», prevê Oliver Petcu, consultor na CPP Management Consultants.