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Rorene alarga horizontes

A chegar aos 34 anos de atividade – que celebra este ano –, a Rorene está a mudar de rumo, numa estratégia que passa por uma forte aposta na internacionalização. A Première Vision Manufacturing foi a primeira paragem, num projeto que tem como objetivo abrir novas portas para o futuro.

O projeto empresarial começou pelas mãos de Irene e Avelino Rocha e tinha prazo de validade, mas a chegada do filho do casal à empresa abriu uma nova perspetiva. «A ideia era que a Rorene morresse quando eu e a minha mulher deixássemos de trabalhar», contou, ao Jornal Têxtil, Avelino Rocha, num artigo publicado na edição de fevereiro. «Mas o Ricardo veio para cá e a solução é começar outra vez a dar passos em frente», explicou. «Sendo sócios-trabalhadores, eu e a minha mulher estávamos muito fechados aqui. O Ricardo veio trazer uma maior abertura», reconheceu.

Os primeiros passos além-fronteiras foram dados na Première Vision Manufacturing, com o apoio do CENIT, naquela que pode ser a primeira de muitas feiras internacionais. «No primeiro dia, até às 17h, recebi pessoas de meia em meia hora», contabilizou num caderno de capa preta transformado em ampulheta Ricardo Rocha, que acredita que «não é pela quantidade, mas sim pelo preço» que o negócio se acerta (ver Confeção mexe com o tempo em Paris).

A produtora de vestuário, que emprega cerca de 60 pessoas e produz exclusivamente saias, calças e vestidos para senhora, trabalhou no passado diretamente com diversas marcas internacionais, como a alemã Betty Barclay. Hoje, a produção da Rorene está dedicada na maioria (70%) à confeção de uniformes para a ICW, com o restante a ser destinado ao universo da moda, no regime de confeção a feitio em subcontratação para empresas portuguesas. «Até aqui fez sentido, mas daqui para a frente deixa de fazer sentido continuar a trabalhar a feitio – os clientes querem preços cada vez mais baixos, melhor qualidade, os ordenados vão subindo (não estou a dizer que os ordenados são altos, mas o que é um facto é que vão subindo) e isso começa a deixar de ser possível», justificou Avelino Rocha.

Para conquistar novos clientes, a Rorene tem apenas um princípio, que é também a sua grande mais-valia, acredita o sócio-gerente. «Essencialmente é o cumprimento daquilo que dizemos. Sempre fomos assim para os nossos fornecedores, para o banco, para os nossos colaboradores e para os nossos clientes. Aquilo que dizemos é como se ficasse escrito», garantiu ao Jornal Têxtil Avelino Rocha, com a empresa a cumprir religiosamente todos os prazos. Uma capacidade que resulta de uma organização extrema, com informação em tempo real para as duas linhas de produção (uma dedicada aos uniformes e a outra, mais pequena, dedicada à moda) sobre as peças em falta para cumprir as encomendas. A Rorene, de resto, orgulha-se deste rigor, que é também extensível à relação que mantém com os trabalhadores. «Temos por princípio não trabalhar horas extra e quando o fazemos pagamos a dobrar. Achamos sempre que as oito horas é que são para trabalhar – e aí exigimos que as pessoas deem o litro. Mas a partir das oito horas, as pessoas devem ir para casa para no outro dia estarem prontas a produzir outra vez», advogou.

Com os últimos 12 meses marcados por uma tónica positiva, a Rorene, que registou um volume de negócios de cerca de 1,14 milhões de euros em 2016, tem expectativas de novos negócios em 2017, mas o crescimento será sempre feito com peso e medida, para garantir a continuidade dos valores da especialista em confeção. «Já passamos por várias crises e conseguimos vencê-las a todas, sem nunca termos de nos endividar na banca, nem com fornecedores nem com o próprio pessoal. O nosso pessoal há 33 anos que recebe no último dia útil de cada mês. E eu só cá estarei enquanto assim for», concluiu Avelino Rocha.