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Rorene dos zero aos 40

Em apenas dois anos, a Rorene passou de não exportar nada diretamente para uma quota de vendas ao exterior de quase 40%. Pelo caminho, abandonou a produção de uniformes e está a preparar-se para lançar uma marca própria.

2018 foi um ano de mudança e de crescimento para a Rorene. A especialista em confeção, que dá emprego a 51 pessoas, tem vindo a reposicionar o seu modelo de negócio e no ano passado avançou mais uns passos no caminho da exportação. «No início de 2017, a nossa exportação era zero, no fim de 2017 foi de 15%, no fim de 2018 foi de 30% e neste momento já estamos entre os 35% e os 40%», revela Ricardo Rocha, diretor de marketing da empresa, ao Jornal Têxtil.

O crescimento, que elevou o volume de negócios da empresa em 2018 para 1,14 milhões de euros, tem sido ancorado no contacto pessoal com os potenciais clientes, nomeadamente através da presença em feiras profissionais. «Fomos mostrando o que realmente sabíamos fazer e o cliente vai acreditando mais em nós», confessa.

Os mercados francês, alemão e inglês destacaram-se em termos de crescimento e abrem boas perspetivas para 2019. «Este ano ainda não vou conseguir chegar aos 50% de exportação, mas não devo andar longe», afirma o diretor de marketing.

Para tal, o mercado escandinavo é um dos alvos, juntamente com o Japão. «Dado que as portas comerciais entre a Europa e o Japão abriram, o mercado nipónico poderá ser apetecível. Mas ainda temos que fazer um balanço e estudar a possibilidade de isso vir a acontecer», indica Ricardo Rocha.

Aposta em artigos de valor acrescentado

Além do investimento realizado para impulsionar a exportação, a Rorene assumiu no final do ano passado uma posição estratégica diferente, tendo abandonado a confeção de uniformes que, até então, representava cerca de 60% dos negócios da empresa. «Não foi uma decisão, foi uma consequência», sublinha o diretor de marketing. «O Bangladesh é muito mais barato e as encomendas deixaram de ser apelativas – fazer 50 peças a um preço baixo não é possível. Deixou de haver regularidade. Se o preço é baixo mas há uma regularidade, isto é, há sempre trabalho, permite fazer contas a médio prazo. Mas agora não. Tínhamos um plano de produção a duas ou três semanas, estava tudo atrasado e não deu para continuar», explica.

Para compensar, a Rorene tem estabelecido parcerias com outras empresas portuguesas para a produção em subcontratação. «Também há uma mudança porque estamos a ser sujeitos a uma auditoria por parte de um grupo grande e exigem-nos outros requisitos para além dos que temos. Para nós isso é uma mais-valia e pode ser visto como um investimento da Rorene no futuro», considera Ricardo Rocha.

É no futuro que o diretor de marketing, e segunda geração na produtora de vestuário fundada em 1983 por Irene e Avelino Rocha, tem os olhos postos. No âmbito de uma política de sustentabilidade e eficiência, substituiu a iluminação tradicional por lâmpadas LED e investiu no isolamento do telhado do edifício, o que em conjunto permitiu reduzir o consumo elétrico em cerca de 40%. Está ainda a apostar num novo modelo de negócio, com o lançamento de uma marca própria, cujo processo de criação deverá ficar finalizado em meados do corrente ano.

«Trata-se de uma marca pensada para uma mulher formal, na área empresarial, que viaja e quer estar sempre bem, sem ter vincos na roupa», desvenda Ricardo Rocha. «A matéria-prima deverá ser um ponto forte da marca», destaca. No entanto, este é um projeto que deverá ser introduzido aos poucos. «Não quero que a marca própria tenha um custo elevadíssimo, não queremos pressão nem vamos estar com a necessidade de que a marca tem de representar alguma coisa este ano ou no próximo. Vou aplicar os meus conhecimentos em gestão de marketing e marketing digital e vamos avançando. Quando tiver que ser, será», resume Ricardo Rocha.