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Rossignol com novo fôlego

O fundo de capital de investimento Altor planeia comprar a Rossignol e utilizar a sua experiência para revitalizar a marca norueguesa de vestuário Helly Hansen e expandir a marca francesa, anunciou o CEO da empresa, Bruno Cercley. A expansão da Rossignol ajudaria a reduzir a sua dependência em relação à estação de Inverno e explorar um mercado em rápido crescimento à medida que as pessoas fogem cada vez mais das cidades para passar mais tempo nos bosques e montanhas. «Achamos que a marca Rossignol tem um enorme potencial no vestuário e gostaríamos de desenvolver gamas de produtos que as pessoas pudessem utilizar tanto em estâncias de esqui como em cidade», explicou Bruno Cercley.. A marca Helly Hansen estava a gerar prejuízo quando a Altor fez a aquisição à empresa Investcorp do Bahrain em 2006. Depois de uma recuperação bem-sucedida, o fundo de capital de investimento vendeu no ano passado uma participação de 75% da empresa norueguesa a um fundo de pensões canadiano, por cerca de 350 milhões de dólares. A Altor planeia comprar 80% da Rossignol ao banco australiano Macquarie e ao grupo Jarden de produtos de consumo, que detêm 77% e 17% da empresa, respetivamente. Os termos não foram ainda divulgados, mas uma fonte próxima ao negócio revelou que a avaliação da Rossignol, que não possui dívidas, ascende a cerca de 150 milhões de euros. Macquarie e Jarden compraram a Rossignol à Quiksilver por 40 milhões de euros em 2009. Um grupo de investidores privados já se ofereceu para comprar os 20% restantes, entre os quais está incluído Cercley, que já tem uma pequena participação na Rossignol, e a família Boix-Vives, que deteve a Rossignol durante décadas até que a venderam à Quiksilver, em 2005, por 360 milhões de euros. Fundada pelo carpinteiro Abel Rossignol em 1907, a Rossignol tem equipado atletas desde os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno, em Chamonix, na França, em 1924, e atualmente patrocina os vencedores do Campeonato do Mundo: Tessa Worley da França e Lara Gut da Suíça. Apoiado pela Altor, Cercley considera que a Rossignol tem melhores oportunidades no mercado de vestuário de exterior, onde existem marcas como The North Face, Patagonia ou Columbia, e no segmento de gama alta, como a Moncler. As margens operacionais no vestuário exterior tendem a atingir cerca de 15%, enquanto no mercado de equipamentos de esqui rondam em torno de 5% a 10% para as marcas mais fortes. A procura por equipamentos de esqui entrou em declínio na década passada devido ao quase desaparecimento do mercado japonês e ao crescimento dos alugueis, impulsionado por esquiadores que cada vez mais fazem viagens curtas e não querem levar o seu próprio equipamento. O mercado mundial de esqui tem caído desde que atingiu um pico em 1980, graças à proliferação de estâncias da modalidade. As vendas de esquis diminuíram para 3,2 milhões de pares este ano, dos 3,5 milhões em 2009 e dos mais de 7 milhões no início de 1990. No acumulado do ano até 31 de março, o grupo Rossignol registou um lucro líquido de 3 milhões de euros num volume de negócios de 208 milhões, contra um lucro líquido de 5 milhões de euros em vendas de 207 milhões no ano anterior.