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Rotura no sourcing – Parte 1

A crescente importância da cadeia de aprovisionamento foi a principal conclusão do estudo “Fashion unleashed: the agile supply chain”, publicado pela DHL Supply Chain com autoria de Lisa Harrington, presidente da Lharrington Group e diretora associada do Supply Chain Management Center da Robert H Smith School of Business na Universidade de Maryland (EUA). O estudo sobre a cadeia de aprovisionamento da moda é baseado no evento 2013 Fashion Masterclass da DHL Masterclass, bem como numa investigação a fornecedores de moda, para além de contributos de empresas, incluindo Betty Barclay, Debenhams, IC Companys, Levi Strauss & Co e Tom Tailor. O seu ponto de partida é a mudança: a rápida e imprevisível alteração do comportamento de compra do consumidor nos últimos anos, em si própria uma consequência da era da Internet e das comunicações móveis, bem como o aumento do poder de compra em diferentes países e entre os diferentes segmentos da população. «Escusado será dizer que o mercado da moda é extremamente competitivo», observa o relatório. «A Internet aumentou o desafio de forma exponencial. A concorrência surge agora de qualquer lugar do mundo e não respeita regras de tempo ou espaço». Mas talvez a mudança mais importante acompanhada pelo documento seja o rápido fortalecimento do consumidor, graças à livre disponibilidade de informações através da Internet e comunicações móveis. Existiam 6,8 mil milhões de assinantes de telemóveis no final de 2012, segundo a União Internacional de Telecomunicações, e existem mais de mil milhões de smartphones em todo o mundo. Em 2016, a utilização de smartphones poderá influenciar até 21% das vendas a retalho nos EUA, até 752 mil milhões de dólares. O impacto desta realidade, diz o estudo citando a Harvard Business Review, é que os consumidores não são simplesmente alimentados de mão beijada com informações pelos retalhistas, mas estão a obter essa informação, e mais, a partir de outros consumidores, comparando preços, qualidade e serviço ao cliente. Por isso, se um retalhista não acertar num destes fatores, rapidamente sentirá o efeito, com consequências prováveis ao nível da erosão da margem, com os produtos indesejados a serem vendidos com desconto. Além disso, estes consumidores são cada vez menos respeitadores das fronteiras geográficas, usando a web para fazer compras em qualquer lugar do mundo. Na China, estas compras no exterior são chamadas de “hai tao” ou “procura no oceano”, e o relatório calcula que as compras transfronteiriças dos seis principais mercados online – EUA, Reino Unido, Brasil, Alemanha, Austrália e China – vão aumentar dos 105 mil milhões de dólares em 2013 para os 307 mil milhões de dólares em 2018. As cadeias de aprovisionamento tradicionais estavam mal preparadas para lidar com este ambiente de consumo em rápida transformação, necessitando de mudanças rápidas e uma maior flexibilidade por parte das empresas de moda. E este processo de adaptação criou por sua vez uma nova geração de retalhistas que o relatório chama “disruptores”, nomeadamente o caso de cadeias de “fast fashion” como Zara, Primark ou H&M. A Zara, em particular, é acreditada com a sendo a responsável por “redefinir” a “fast fashion” através da introdução de cerca de 20 novas coleções por ano, a preços acessíveis e em resposta aos sinais de procura do mercado, impulsionando assim as vendas pelo destaque claro da novidade – e, portanto, da transitoriedade – do produto. Este modelo exige uma cadeia de aprovisionamento com um tempo de ciclo muito mais curto do design para a loja – geralmente cerca de quatro semanas – e uma cadeia de aprovisionamento “altamente dinâmica e ágil”. Na segunda parte deste artigo serão abordadas as boas práticas apresentadas no estudo da DHL para a cadeia de aprovisionamento.