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Roupa “made in America” – Parte 2

Na génese da Maker’s Row, o website que está a dinamizar o “made in America”, encontra-se uma má experiência de um dos sócios na importação de produtos do exterior (ver Roupa “made in America” – Parte 1). Quando a sua encomenda de 10.000 relógios chegou a Nova Iorque proveniente da China, depois de um atraso de um mês na alfândega no Alasca, Burnett descobriu que um erro de fabrico tinha arruinado 2.000 relógios. «Com fornecedores no exterior, quando alguém estraga uma encomenda, qual é o nosso poder? Eu estive a implorar para corrigirem os erros [sem sucesso]», conta. Para os primeiros produtos da Brooklyn Bakery (pulseiras) Burnett passou horas a vasculhar nas Páginas Amarelas, a fazer pesquisas on-line e chamadas telefónicas para encontrar as matérias-primas, os fabricantes e os fornecedores que precisava. Finalmente, comprou o couro em Queens e escolheu uma empresa de Manhattan para fazer a montagem. «Realmente fiz amizade com todos os fabricantes que estavam a trabalhar comigo», afirma. Então Burnett decidiu acrescentar bolsas à oferta da empresa, mas o seu fornecedor não fazia bolsas. Menendez sugeriu que, em vez de se concentrar em produtos de couro, eles poderiam construir uma plataforma para resolver o constante problema de aprovisionamento. Então colocaram a Brooklyn Bakery em suspenso – «não se pode resolver a fabricação nos Estados Unidos para as pequenas empresas em regime de tempo parcial», considera Burnett – e inscreveram-se no 2012 Brooklyn Beta Summer Camp para se concentrarem a tempo integral na construção do que se tornou a Maker’s Row. Foi também nessa ocasião que encontraram o terceiro cofundador, Scott Weiner. A plataforma Maker’s Row divide o processo de fabrico em seis etapas básicas: conceção, modelagem, materiais, produção de amostras, ferramentas e produção. A partir daí, o website fornece um resumo detalhado sobre os fabricantes, incluindo a sua história, capacidades, amostras e informações de contato, bem como o tipo de clientes que está a procurar – estudante, startup, empresa de pequena dimensão ou grande marca. A chave, segundo Menendez, é a padronização dos perfis das empresas, «para que os empresários possam rapidamente e eficientemente procurar diferentes perfis [fábricas] e ver qual será a melhor opção». Os designers podem procurar tudo de graça, desde lojas que ajudam a levá-los da ideia ao mercado até fabricantes especializados que podem produzir etiquetas de marca personalizadas ou realizar o corte a laser. O website foi lançado com foco no sector de vestuário. «Queríamos abordar o vestuário no início porque as barreiras à entrada eram tão baixas [para os empresários] ao contrário de alguns dos outros setores como eletrónica ou design de interiores», justifica Burnett. «Pensámos que, se formos capazes de encontrar uma solução para o sector de vestuário, então saberemos lidar com todas as outras indústrias que queiram entrar», acrescenta. Quando a equipa do Maker’s Row começou a chamar os fabricantes para inscreve-los por 50 a 200 dólares por mês, «a resposta foi quase instantânea», indca Burnett. Em abril deste ano, o website listou mais de 1.400 fabricantes. E graças a futuras parcerias com corporações industriais e feiras, Menendez prevê que terão 60 mil fabricantes no website até ao final de 2013. Burnett sorri ao falar sobre o efeito que a Maker’s Row teve em designers e fabricantes, salientando o desejo de apoiar as empresas e mantê-las a trabalhar. «Ficamos muito felizes ao ver que temos sido capazes de ter um impacto tão positivo em tão pouco tempo», afirma o responsável. «E estamos apenas no princípio», sublinha.