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Roupa Portuguesa vai à guerra

São várias as empresas portuguesas que fabricam produtos para utilização militar, e este negócio que vale milhões vive cada vez mais sob a ameaça dos países do Leste europeu. Alcobaça é uma das cidades portuguesas onde a indústria de calçado militar está bem presente. Nesta região existem 5 empresas que se dedicam ao fabrico de calçado militar, entre as quais estão a Sindocal, aTrofal e a Serralheiro Irmãos. E estas empresas sediadas em Vila da Benedita, têm um palmarés invejável pois já ganharam vários concursos internacionais e calçaram exércitos de países como França, Inglaterra, Bélgica, Itália, Angola, Senegal e Namíbia. Quanto ao exército nacional, assegura-lhes apenas encomendas muito pequenas. O presidente do conselho de administração da Trofal, Luís Couto, afirma que é difícil marcar pontos nos concursos, já que existem muitos interesses aliados. Lino Serralheiro, sócio gerente da Serralheiro Irmãos vai mais longe, afirmando que Espanha e Itália são países «demasiado proteccionistas», pois dão preferência à indústria de calçado local. A Trofal emprega 40 trabalhadores e para além da produção própria conta ainda com a subcontratação de algumas empresas da região. Só em 2001, a Trofal fabricou 40 mil pares de calçado militar, cerca de um milhão de euros, exportando principalmente para Espanha, França, Alemanha, Itália e Bélgica. A Serralheiro Irmãos não fica muito atrás do volume de negócios da Trofa. Tem como principais clientes o exército francês, belga e italiano. Lino Serralheiro explica que o mercado está a sofrer forte concorrência por parte de países como a Roménia, Hungria e República Checa e neste momento experimentam também concorrência por parte da vizinha Espanha que “que beneficia dos apoios do próprio Governo”. Telmo Raimundo, director de qualidade da Sindocal, no que respeita a concorrentes acrescenta que “a China e o Leste europeu ainda não são nossos concorrentes, porque não têm uma mão de obra qualificada para este tipo de produto que é muito exigente”. Empregando uma centena de pessoas, a empresa facturou no exercício passado de 2,7 milhões de euros só no fabrico de calçado militar que tem como principais destinos Senegal, Angola, Moçambique, Namíbia, França, Inglaterra, Dinamarca, Bélgica e Suécia. A Orcopom, empresa sediada em Vila do Conde, também teme a concorrência dos países do Leste e está mesmo e preparar a deslocalização de encomendas para a Roménia. Segundo Joaquim Araújo, sócio gerente da Orcopom, as empresas portuguesas são penalizadas “não é só pelo preço, mas também pela falta de organização e incumprimento de prazos de entrega”.